A importância do movimento na construção dos processos de simbolização do bebê

Autores

DOI:

https://doi.org/10.54948/desidades.v0i33.50461

Palavras-chave:

movimento, simbolização primária, sensorialidade, bebê

Resumo

O presente artigo disserta sobre a importância da corporeidade do bebê na construção da simbolização e na ampliação da sua vida psíquica. O trabalho está embasado no referencial psicanalítico, em especial nas noções de movimento (Konicheckis, 2015) e de simbolização primária (Roussillon, 2013, 2019). Para ilustrar tal perspectiva teórica, será explanado um fragmento de observação de bebê, realizado a partir do método Esther Bick. Esta observação coloca em cena a relevância das sensações e do movimento para que o bebê se sinta em contato consigo e com o mundo e organize suas experiências psíquicas. Entende-se que um olhar atento a esses processos primários permite ampliar a compreensão sobre a construção de um senso de si, bem como lança luz para a riqueza do que está em formação na primeira infância.

Biografia do Autor

Gisele Milman Cervo, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Faculdade de Psicologia, Rio de Janeiro, RJ, Brasil

Mestre em Psicologia Clínica pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), Brasil. Especialista em Psicoterapia da Infância e Adolescência pelo Centro de Estudos, Atendimento e Pesquisa da Infância e Adolescência (CEAPIA), graduada em psicologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Brasil.

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Publicado

14-11-2022

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TEMAS EM DESTAQUE - SEÇÃO TEMÁTICA: BEBÊS