O indizível e a linguagem-testemunha em “Fluxo”, de Hilda Hilst
DOI:
https://doi.org/10.35520/flbc.2017.v9n18a18041Resumo
Este ensaio objetiva analisar o texto “Fluxo”, do livro Fluxo-floema, de Hilda Hilst (1970), considerando o contexto sociopolítico em que a obra foi escrita e publicada no país e o peso das barbáries do século XX, tendo como subsídio teórico-metodológico o testemunho. Para esta leitura, observamos a fragmentação, a fusão de gêneros, o caráter dialógico-dramático, a opressão sistêmica, a metalinguagem, o paradoxo, o ritmo, o silêncio, o silenciamento, entre outras marcas testemunhais. Nesta análise, o indizível é investigado a partir da chave do trauma, considerando a importância da necessidade de dizer em tensão com a impossibilidade de se expressar, o que se liga ao desejo de comunicação com o outro. Como conclusão, identificamos uma linguagem que sobreviveu às catástrofes, por isso uma linguagem-testemunha, e que diz, nas marcas de suas imagens poéticas, o indizível.Referências
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