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Poesia e experiência em Paris não tem centro, de Marília Garcia

Juliana Pereira

Resumo


Este trabalho propõe uma análise de Paris não tem centro, de Marília Garcia, a partir da imagem das “passagens”, que percorre todo o livro. Trata-se de um diálogo com a Paris do século XIX (com as passagens de Benjamin), mas também com uma passagem que é “de érica zíngano” e com uma “miragem com lu menezes”, isto é, passagem pela tradução e pelo contato com o outro. O que destitui Paris de um centro, essencial para o que parece estar em jogo, são as passagens que parecem experienciadas distintamente tanto da ideia de flanêrie nos moldes de Baudelaire como da deambulação surrealista. A cidade como cenário é evocada, mas diz respeito também à experiência da escrita como algo que busca contato. Paris não é uma cidade-objeto para a qual o “poeta” ou “escritor” olha com distanciamento e sobre a qual escreve: a relação entre a cidade, a poesia e o próprio lugar da arte enquanto instituição é colocada em jogo. Como a “Paris, mito moderno” (Roger Caillois) pode ser entendida a partir de Paris não tem centro? Como a experiência e a imagem do cotidiano se colocam e que interferência isso pode ter na noção de “contemporaneidade” do texto?

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Referências


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DOI: https://doi.org/10.35520/flbc.2018.v10n19a19618

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