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O perseguidor na construção do sujeito marginalizado: leitura de tensões sociais a partir dos contos “O perseguidor”, de Julio Cortázar, e “Espiral”, de Geovani Martins

Clarice Goulart Pedrosa

Resumo


Desde o início do século XX, a produção literária latino-americana vem se debruçando com mais atenção sobre os espaços periféricos e os sujeitos que os habitam, apresentando como resultado uma ficção povoada por diferentes representações dos subalternos e marginalizados. Nesse contexto, destaca-se Julio Cortázar, que, em 1959, cria a figura do “perseguidor” em conto homônimo. O sujeito marginalizado de Cortázar acaba por subverter a imagem que os demais fazem dele, sendo ao final visto não como um ser perseguido pela sociedade, mas sim como um elemento ameaçador por colocar em xeque as formas de vida que imperam na realidade em que está inserido. Notamos, porém, que a significação dessa figura não se encerra na mera condição de um personagem literário que problematiza o papel de um artista, podendo ser lida também como um status do ser marginalizado, seja ele oriundo de qualquer esfera ou campo da vida social. Dessa forma, o presente trabalho propõe analisar a figura do Perseguidor para além do conto no qual aparece, estabelecendo uma correlação com as formas de ver e de ser visto do sujeito subalterno. Para alcançar uma visão mais ampla da figura de que tratamos aqui, traçaremos um paralelo entre a narrativa de Cortázar e o conto “Espiral”, publicado em O sol na cabeça (2018), livro de estreia do autor brasileiro Geovani Martins. O diálogo entre os dois textos nos permite pensar o lugar problemático de um sujeito à margem da cidade e da sociedade, lugar onde é invisibilizado mas que é também onde pode se ressignificar, lançando mão do medo que a diferença desperta a fim de potencializar um novo olhar para as relações sociais.


Palavras-chave


perseguidor; marginal; Cortázar; Martins

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DOI: https://doi.org/10.35520/flbc.2019.v11n21a25009

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