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O crime do Cais do Valongo: quando a saga da diversidade negra se projeta para a contemporaneidade

José Luiz Matias

Resumo


A princípio confundido com um romance policial, O crime do Cais do Valongo, de Eliana Alves Cruz, extrapola em muito essa visão reducionista. A narrativa desfia histórias contadas pela africana Muana Lómuè e pelo mestiço Nuno Alcântara Moutinho, com o protagonismo das negras e dos negros escravizados, tendo como ambientação as nações da África e o Rio de Janeiro dos tempos coloniais. Como esclarece Flávia Oliveira, “o livro viaja a uma África de diversidade étnica e cultural ainda desconhecida no Brasil” (2018), para ressignificar as relações entre a opressão senhorial e a resistência dos escravizados. Tal postura vem contrariar textos ou “documentos” históricos que, em diversas oportunidades, enunciam uma acomodada submissão de escravizados em terras brasileiras. Assim, o presente romance contribui para ajudar a “entender as partes do passado que permanecem produzindo os embates contemporâneos”, no sentido de romper com o discurso silenciado ou interdito do negro na literatura brasileira, conforme reitera Fernanda Rodrigues Miranda (2019).


Palavras-chave


Cais do Valongo; romance; resistência dos escravizados; diversidade étnica e cultural.

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Referências


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DOI: https://doi.org/10.35520/flbc.2019.v11n22a31043

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