Narrar o fim do mundo com alegria e terror
Entrevista com Natalia Borges Polesso
DOI:
https://doi.org/10.35520/flbc.2025.v17n32e68194Resumo
Natalia Borges Polesso (Bento Gonçalves, RS, 1981) é escritora, pesquisadora, tradutora e professora da área de Letras e Escrita Criativa da PUC-RS. Desde a estreia com Recortes para álbum de fotografia sem gente (2013) já são dez livros publicados e uma lista de prêmios importantes recebidos. Parte de sua obra lida com cenários catastróficos, crise do clima, Antropoceno e assuntos afins. “Narrar o fim do mundo com alegria e terror” é a tarefa à qual tem se dedicado em romances, como A extinção das abelhas (2021), vencedor do prêmio Minuano (concedido pelo governo do RS) e finalista dos prêmios Jabuti e São Paulo de Literatura, e Corpos Secos (2020), vencedor do Jabuti na categoria romance de entretenimento, resultado de escrita colaborativa com Luisa Geisler, Marcelo Ferroni e Samir Machado de Machado; e ainda no conto Perfeita tecnologia (2021), publicado no Suplemento Pernambuco, em que um organismo/parasita convive com a protagonista, infiltrando-se na epiderme e pensamentos desta e na narração. São três exemplos de distopias que a autora prefere tratar como realismo especulativo, “para pensar futuridades e para pensar continuidades de algumas existências não hegemônicas”.
Com trânsito entre teoria e ficção, Natalia acompanha as reorientações do pensamento atual, no rastro de reflexões propostas pelos estudos culturais seguidos pelo feminismo, estudos decoloniais e queer. Na entrevista a seguir, realizada via áudios de WhatsApp, ela associa sua produção e pensamento aos atravessamentos desses saberes e questões e ainda ao que vem sendo chamado de ecocrítica, desdobramento dos estudos literários recentes em que a perspectiva eco-ambientalista se impõe ao pensar a convergência entre humanos, outros animais, ambiente, plantas, vírus e sistema mundial capitalista /neoliberalista.
Sua prosa experimenta com o caos, mistura temporalidades e vozes narrativas, e reflete as contaminações, exibindo agência de instâncias não humanas, como insetos, mas também trazendo para a ambiência de suas personagens as mutações materiais provocadas pelos agrotóxicos, e, em outro nível, pela política de extermínio de determinadas vidas e comportamentos. Nas obras com temática ambiental ou em outras, a autora põe em cena o amor entre mulheres e a contraparte social que as atinge no presente e no futuro projetado: o conservadorismo e a agressão. Porém, na busca de refletir na literatura nossos fins de mundo, estão lá também a insistência na sobrevivência, no afeto, no encontro.
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