A REPRESENTAÇÃO DA DEUSA ÍSIS EM METAMORPHOSES DE APULEIO DE MADAURA (II d.C.): UMA REPRESENTAÇÃO HÍBRIDA

Ellen Juliane Bueno dos Santos

Resumo


Nos últimos anos os historiadores do Mediterrâneo Antigo vêm debatendo cada vez mais sobre os encontros (culturais, sociais, religiosos...) provocados pela expansão do Império Romano. Mas não apenas os encontros, como os resultados dos mesmos. Uma exemplificação do resultado desses encontros se vê presente na deusa Ísis construída por Apuleio de Madaura, em sua obra Metamorphoses ou O Asno de Ouro, escrita na segunda metade do II d.C. Assim, o presente artigo visa analisar a representação construída por Apuleio da deusa Ísis em sua obra mais conclamada. A obra apuleiana narra as desventuras de Lúcio, que, por conta da sua curiosidade para com a magia, acaba por ser metamorfoseado em asno após uma prática mágica malfadada. Depois de passar por várias situações problemáticas e clamar por uma intervenção divina à sua desfortuna, Lúcio é salvo pela deusa Ísis, que lhe aparece em sonho. Ao retomar a forma humana, Lúcio se torna um devoto à deusa salvadora e é iniciado no culto de mistério à deusa egípcia. Assim, a partir da representação construída da deusa Ísis e dos cultos isíacos, no livro XI de Metamorphoses, vê-se uma deusa híbrida, ou seja, capaz de reunir em si as funções de diversos outros deuses, demonstrando grande poder. Isso demonstra a complexidade do fenômeno do encontro cultural e o processo de assimilação entre culturas presente na literatura do segundo século.

Texto completo:

PDF

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Direitos autorais 2021 Revista GAÎA