A transposição poética. Uma passagem da impotência para o impossível crível

Leonardo A. Alves de Lima

Resumo


“Aquilo que o poema não pode dizer não é indizível, mas o real do dizer”. A afirmação de Mallarmé aponta para a transposição poética como uma passagem da impotência para o impossível [crível] na língua. Eis o nó deste trabalho: lidar com a transposição, isto é, a possibilidade de vitória no “lance de dados” e na contingência através da poesia. Alain Badiou, por Mallarmé, pensou uma estética da análise no sentido de que certas operações poéticas são formalmente idênticas às operações da cura analítica e que, por conseguinte, pode-se falar de uma estética da análise na transposição que faz a poesia através da escritura a partir do traço. Não à toa, Badiou dirá que a poesia é a tarefa da transposição do “eu ao isso”. A escrita que suporta um traço autobiográfico é o lugar em que se inscreve a passagem do eu ao isso, por exemplo, a escrita joyciana. Ao criar um pensamento do desaparecimento sem a necessidade de retorno do objeto na língua o poema é deslocado. Tal movimento, a nosso ver, somente será possível através da escritura do amor que não confessa o fim, antes prefere a vida.

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