A écfrase, um lugar escondido

Thais Kuperman Lancman

Resumo


O presente artigo discute a écfrase enquanto recurso narrativo na obra Não Há Lugar para a Lógica em Kassel, de Enrique Vila-Matas. A fim de compreender como o autor desenvolve um percurso que vai do relato objetivo ao ficcional, situamos passagens da obra em que a transposição das obras de arte é determinante para a compreensão e fundamentação dessa trajetória. Para tanto, optamos por selecionar as diversas menções ao trabalho de Tino Sehgal, This Variation que, pela sua recorrência, indicam uma importância na narrativa e também acabam por constituir uma história em si. Assim, This Variation ocupa, na narrativa de Vila-Matas, o espaço de uma zona fronteiriça, compreensível tanto do ponto de vista das artes visuais, por se tratar de uma instalação vanguardista que desestabiliza conceitos sedimentados das artes plásticas, quanto da literatura, pois sua presença na obra literária cria uma confusão entre ficção e não-ficção, autor e personagem. Este artigo se insere nas discussões recorrentes das transformações nos estudos de intermidialidade no que dizem respeito à écfrase, entendendo que a arte contemporânea impõe desafios à sua transposição ao texto literário, bem como ao próprio conceito de écfrase e sua classificação, constantemente debatida e revisitada.

Texto completo:

PDF

Apontamentos

  • Não há apontamentos.