O significado da vanguarda em Oswald de Andrade e o sequestro da história pelos concretistas

Wagner Fredmar Guimarães Júnior

Resumo


Oswald de Andrade é conhecido, sobretudo, por ser um escritor vanguardista, um experimentador de técnicas artísticas ousadas e inovadoras. Tal imagem, no entanto, acaba levando parte da crítica a uma visão de que em sua obra os exercícios de forma possuem um fim em si mesmos, não se referindo ao âmbito extraliterário, no caso, a realidade brasileira no contexto mundial. Defendendo uma leitura dialética integradora, busco demonstrar que o significado da vanguarda em Oswald de Andrade encontra-se na relação entre forma literária e processo social, esferas indissolúveis também no entendimento do autor. Para isso, demonstro inicialmente como a gênese da visão de um Oswald formalista e quase a-histórico é encontrada na teorização dos concretistas acerca do escritor paulistano e deles mesmos, como demonstra Ferreira Gullar (1978). Num segundo momento, a título de exemplo, serão expostos e brevemente discutidos excertos de textos em que isso ocorre. Finalmente, discuto o significado da vanguarda em dois momentos da obra de Oswald, antes e depois de 1930, abordando como o autor trata o tema do subdesenvolvimento brasileiro em cada um desses períodos e demonstrando que há, na verdade, um aprimoramento do sentido da vanguarda por ele praticado, e não a passagem do formalismo ao engajamento, como se costuma afirmar.

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