Blake e a transfiguração do espaço

Gustavo Deister

Resumo


William Blake, desde o século passado, tem já seu reconhecimento como um dos grandes poetas do romantismo inglês, além de seu lastro de influências por outras artes, como a pintura e o cinema, por exemplo. Entretanto, permanece a imagem de um autor obscuro, demasiado complexo. As interpretações de sua obra costumam girar em torno de estudos referenciais e alegóricos, desmembrando a mitologia blakiana através de relações com as mitologias hebraica, cristã, pagã, entre outras; de possíveis sistematizações e estruturações dos textos, compreendendo-os como um forte arcabouço de elaboração conceitual (os tipos de espaço, tempo e mundo segundo Blake, aquilo que permite uma mínima compreensão da obra); de recortes psicanalíticos e análises simbólicas a questões políticas sobre a revolução industrial inglesa dos séc. XVIII-XIX. Por outra via - sem negar as que foram acima descritas e sim valendo-se também delas -, este ensaio se constrói na tentativa de fazer uma microfísica e macrofísica blakiana, permeada por uma metafísica singular, uma monadologia móvel, compreensão de movimentos e forças em um espaço transcendental, transfigurado. A partir de duas obras de Blake que nos ajudam a pensar o espaço literário, a saber, "Milton" (1804) e "Jerusalém" (1820), ensaiaremos traçar uma ontologia poética do espaço e do corpo monstruoso.

Texto completo:

PDF

Apontamentos

  • Não há apontamentos.