Das formas dos corpos indóceis: "corpo estranho", corpo político

Isadora Bonfim Nuto

Resumo


A partir da ideia de "corpo estranho", proposta nos trabalhos de Matheusa Passareli, e pensando uma série de casos que nos rondam constantemente, este trabalho busca pensar diversos modos de existência em relação ao Estado biopolítico atual, que parece ser, na verdade, necropolítico, como coloca Achille Mbembe. A proposta é pensar esses "corpos estranhos" também como "corpos indóceis", que não se deixam domar pelos abusos do poder e da normatividade. Para isso, fazemos uma leitura do "Homo sacer", da Agamben, em que ele apresenta a ideia dos corpos "matáveis" e da "vida nua", a vida exposta ao perigo. A vida nua, segundo Agamben, etá em um espaço de indiscernibilidade entre a lei dos homens e a lei divina, é sem-lugar e está excluída da lei, fazendo, então, uma política a partir do exterior. Seguimos com uma leitura de Derrida sobre Agamben e Aristóteles e com proposições de Foucault e Mbembe sobre bio e necropolítica. Tantas vidas hoje, como a de Matheusa, estão expostas à morte por serem corpos estranhos. Esses corpos são os matáeis de nosso Estado, que seleciona alvos específicos para excluir e aniquilar, são esses corpos a quem é vetado o direito de participar da vida política e ocupar a cidade. Mas eles não se deixarão calar; eles não se permitem domar e docilizar e por isso mesmo são vistos como ameaças. Assim, concluímos: são esses corpos que, por meio de sua indocibilidade, podem fazer uma política outra, uma política do fora, do esteanho, do afeto.

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