Entre a arte e a política: o ativismo poético dos coletivos Frente Três de Fevereiro e Política do Impossível

Pedro Caetano Eboli Nogueira

Resumo


Este artigo visa a compreender os nexos entre arte e política no âmbito das ações de ativismo urbano perpetradas por coletivos e expostas como trabalhos de arte. Partimos do pressuposto de que haveria um pensamento poético nestas ações, que possibilitaria sua fácil inserção no meio da arte. Para tal, observamos algumas ações dos coletivos Frente Três de Fevereiro e Política do Impossível. Os dois coletivos foram ativos no primeiro decênio dos anos 2000 e se baseavam na cidade de São Paulo, sendo expostos em diversas mostras de arte através de formas documentais, tais como textos, vídeos e fotografias. Enquanto as ações do primeiro confrontavam o racismo institucionalizado, as do segundo questionavam os processos de gentrificação que assolaram o bairro da Luz. Assim, apesar de suas formas marcadamente políticas, ou estético-políticas, estes coletivos não negligenciavam pautas recorrentemente exploradas pelos movimentos sociais. Caracterizamos o caráter poético de suas ações através dos subsídios teóricos oferecidos por Jacques Rancière e Roland Barthes, relacionando-o a uma certa recusa, ou suspensão, do devir meramente comunicativo da linguagem, em que se equacionam palavra e silêncio. Explicitamos de que maneira esta forma de produção de sentidos é análoga aos modos de enunciação que Jacques Rancière relaciona à política, uma vez que reside justamente na prática de dissenso. Daí resultaria, por fim, a possibilidade de transpor estas ações de ativismo urbano para os espaços da arte, decorrente das íntimas imbricações entre arte e política no âmbito daquilo que Rancière denomina Regime Estético.

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