Viver é vibrar: estética e cosmologia de Raul Pompeia em "Canções sem metro"

Gustavo Rocha Ferreira e Silva

Resumo


Publicadas inicialmente em diversos jornais ao longo da penúltima década do século XIX – e lapidadas com apuro pelo autor no referido período –, às Canções sem metro, de Raul Pompeia, é unanimemente atribuído o pioneirismo do poema em prosa e do Impressionismo na Literatura Brasileira (JÚNIOR, 2014, p. 69). A análise que se segue traça, inicialmente, um breve histórico da produção, publicação em jornais e revistas e posterior compilação das Canções em livro (1900). Segue trazendo à tona a visão de Raul Pompeia em relação à arte em si, composta pela defesa da interligação entre esta e a harmonia do cosmo, do ritmo/eloquência como pilar da estrutura do poema, da rebeldia contra a metrificação cerceadora e da imagem como recurso avivador do enunciado. Aproveita-se esses apontamentos como ponto de partida de uma incursão panorâmica no arcabouço crítico e teórico sobre o poema em prosa. A análise passa, então, para uma etapa de cunho formal e crítico-interpretativo. A totalidade dos 33 poemas que compõem as Canções sem metro será alvo de atenta observação. Quer-se, com isso, não só delas apontar as principais características formais como, também, extrair seus sentidos e significados. Além disso, visa-se verificar se houve coerência entre as Canções e os tais apontamentos estéticos de Raul Pompeia, presentes tanto ­em textos publicados em distintos jornais como, inclusive, nas falas do personagem Dr. Cláudio, do romance O Ateneu, também de sua autoria.


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