Elaborações do impasse na dramaturgia de "Tempo Morto": um recuo

Bruno Pinheiro Ribeiro

Resumo


Uma das características fundamentais de Tempo Morto, que compõe o corpo dramatúrgico de Ópera dos Vivos da Companhia do Latão, é a articulação com a matéria histórica brasileira dos anos de 1960. O artigo investiga como a dramaturgia do grupo paulistano tenta reestabelecer conexões com algumas experiências artísticas brasileiras pregressas, expondo seus limites e potências, por meio de uma rememoração crítica. Esse procedimento conectivo se manifesta como tentativa de elaboração de um impasse gestado no interior da cena teatral contemporânea, onde a ruptura se constituiu como norma e a possibilidade utópica se mostra interditada, asfixiando e anestesiando as criações teatrais num “eterno presente” auto satisfatório e autorreferente.


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