Marquês de Sade, Nelson Rodrigues e o poder do gozo

Anderson Brandão

Resumo


Urdindo a partir de seu método , que chega a parecer , de acordo com uma vertente bastante presente na literatura iluminista, enciclopédico , Sade teceu a sua obra com tanta pertinência e acuidade que chega a convencer o leitor de que a lógica da destruição é tão palpável , verossímil e -- por que não ? -- praticável quanto a da manutenção dos critérios e valores de preservação da sociedade. Tais bizarrices não aconteceriam ou não seriam, pelo menos , possíveis se não estivessem enraizadas numa estrutura que conferisse aos seus protagonistas uma total liberdade para exercerem o que verdadeiramente lhes causa prazer : a imposição de um poder que se realiza através da submissão do outro até o seu esgotamento. Esse exercício é realizado através de um modus faciendi que não encontra barreiras , que é soberano e que se realiza inexoravelmente através do ato de subjugar sexualmente aqueles que lhes são subordinados. As vítimas são reduzidas a corpos , títeres que estão dispostos ao prazer e que são valorados apenas de acordo com a possibilidade de sujeição e com a antevisão do gozo advindo da conspurcação de suas eventuais purezas ou pudores , como podemos ver em Les cent vingt journées de Sodome.


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Referências


BATAILLE, Geoges. OEuvres complètes . Paris: Gallimard, 1987.

RODRIGUES, Nelson. Flor de obsessão :. São Paulo: Companhia das Letras, 1997.

__________________. Teatro completo : volume único . Rio de Janeiro : Nova Aguilar, 1993.

SADE, Donatien Alphonse de. Contos libertinos . São Paulo: Editora Imaginário , 1992.

________________________. Historiettes, contes et fabliaux . Paris: Union Générale D'Éditions,1968.

_________________________. OEuvres. Paris: Gallimard, 1990.

VAINFAS, Ronaldo. Trópico dos pecados: moral, sexualidade e Inquisição no Brasil. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1997.


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