POR UM MUNDO DE PALAVRAS VIVAS: OS JORNALISTAS E O IMPERATIVO DA NEUTRALIDADE

Fernanda Cupolillo Miana de Faria

Resumo


O presente artigo pretende fazer uma reflexão, a partir de Gramsci e de Sartre, sobre como as práticas do intelectual e do jornalista, formados em um mesmo locus social, como “técnicos do saber prático”, distanciam-se em virtude dos diferentes compromissos assumidos socialmente. De que forma isso se reflete no modo de se dirigirem ao mundo e buscarem uma interlocução com a sociedade? De que forma isso se reflete no uso dos seus instrumentos de trabalho, a “palavra”? O artigo pretende expor, portanto, alguns dos motivos, a partir da prática do jornalista, que o levam a se afastar da noção de intelectual, embora, muitas vezes, ele reivindique esse status. Argumenta-se sobre como a incorporação da retórica da neutralidade pelos jornalistas, derivada do racionalismo de que a classe burguesa se tornou representante, constituiu um dos braços para a construção dos pressupostos jornalísticos da imparcialidade e da objetividade, estreitando a possibilidade de apropriação criativa da palavra. Por fim, argumenta-se, a partir das revistas semanais de informação Época, Veja e Istoé, sobretudo nas reportagens de comportamento, sobre como essa retórica instaura uma falsa arena de discussão pluralista nesses semanários, sustentada por uma visão naturalizadora das relações humanas, valores, práticas culturais e do próprio ser humano.

 Palavras-chave: intelectual, neutralidade, especialista.


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Referências


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