Indícios da eroticidade nordestina em Peba na pimenta do poeta João do Vale (1933-1996)

Solange Santana Guimarães Morais

Resumo


Quando surgiram os primeiros relampejos mentais de como produzir este ensaio, uma questão cintilou-se logo em face das demais: qual linguagem, ou mais precisamente, quais formas dialetais utilizar no tratamento de um dos assuntos mais interditados historicamente para as “meninas”, em todos os tempos? Como falar de erotismo, eroticidade, sem fazer referências aos órgãos genitais feminino e masculino? Usar quais palavras para expressá-los? E usá-las como quem usa: o médico, o acadêmico de um modo geral ou como faz, ainda, o sertanejo brasileiro médio, aquele que tem no máximo o ensino básico? Para este, expressões como falo, pênis ou vulva, vagina etc não estão presentes nas relações do dia-a-dia. Mas e os riscos de urdir uma narrativa com pretensões de eroticidade que venha a ser recepcionada como pornográfica? Mas será tão fácil dizer: isto é literatura, arte; aquilo é pornografia, trash?! O mais provável é que essas identificações sofram fortes influências da moral e do que se percebe como literatura ou como arte no seu tempo de produção (MIRADOR, 1993)

Texto completo:

PDF

Referências


ALBUQUERQUE JR, Durval Muniz. A invenção do nordeste e outras artes. São Paulo: Cortez, 1999.

_____. Nordestino: uma invenção do falo -- uma história do gênero masculino (Nordeste -- 1920-1940). Maceió: Catavento, 2003.

BATAILLE, Georges. O erotismo. Trad. Cláudia Fares. São Paulo: Editora ARX, 2004.

BAREMBOIM, Daniel. A música desperta o tempo. São Paulo: Martins, 2009.

CUNHA, Euclides da. Os sertões. São Paulo: Ediouro, 2003.

Enciclopedia Mirador Internacional. Vol 5. São Paulo: Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda., 1993.

FERREIRA, Aurélio B. H. Mini-dicionário da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001.

FREUD, Sigmund. O mal-estar na civilização[1930]. Rio de Janeiro: Imago, 1974

_____. Além do principio de prazer [1920]. Rio de Janeiro: Imago, 1975.

GINSBURG, Carlo. Mitos, emblemas, sinais: morfologia e história. São Paulo: Companhia das Letras, 2011.

_____. O queijo e os vermes. São Paulo: Companhia de Bolso, 2006.

HEIDEGGER, Martin. Sobre o humanismo. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1967.

_____. Ser e tempo. Petrópolis: Vozes, 2009.

MASTERS, ;JOHNSON. A conduta sexual humana. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1968.

_____. A incompetência sexual. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1970.

_____. Heterossexualidade. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1997.

PAZ, Octávio. A dupla chama: amor e erotismo. São Paulo: Sciliano, 1994.

_____. Signos em rotação. 2. ed. São Paulo: Editora Perspectiva, 1976.

_____. O arco e a lira. 2. Ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1982.

PASCHOAL, Márcio. Pisa na fulo, mas não maltrata o carcará: Vida e obra do compositor João do Vale, o Poeta do Povo. Rio de Janeiro: Lumiar, 2000.

SAMUEL, Rogel. Manual de teoria literária. Petrópolis: Vozes, 1985.

SOARES, Angélica. A paixão emancipatória: vozes femininas da liberação do erotismo na poesia brasileira: Rio de Janeiro, DIFEL, 1999.

VALE, João do. Peba na pimenta.[1957] In João do Vale -- o poeta do povo. Rio de janeiro: Sinter, 1965 (álbum musical).


Apontamentos

  • Não há apontamentos.