A seca e a narrativa do trágico em O Quinze de Rachel de Queiroz

Andrea Teresa Martins Lobato e Eduardo Oliveira Pereira

Resumo


A princípio, parte-se da constatação de que O Quinze, de Rachel de Queiroz, é uma obra que se enquadra nas balizas referentes ao gênero “romance”. Contudo, o “romance”, especificamente considerado, consiste, com subsídio no entendimento de Marthe Robert (2007, p. 11 - 20), em um gênero errante, arrivista a teorizações encasteladoras e arredio a delineamentos estruturais rígidos, ou seja, na História da Literatura tal gênero passou e passa por profundas e constantes transformações, mutações em seus elementos fundantes, tais como em relação ao autor, personagens, tempo, espaço, etc. Em face disso, preferiu-se adotar, como objeto do presente artigo científico o estudo acerca do elemento “narrativa” atinente à referida obra, na medida em que tão-somente o debruçamento sobre a narrativa da obra literária em apreço -- elemento mais rico em significação e, por conseguinte, mais carregado em representações estéticas do texto -- possibilitará o enlace entre os demais elementos estruturais acima mencionados, os quais em torno da própria narrativa se acredita gravitarem.

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