A paisagem n'Os Sertões de Euclides da Cunha

Lucia Ricotta

Resumo


A descrição do cenário natural na parte estritamente relacionada à “A Terra” apresenta dois traços bem marcantes. Refirome a dois tipos dominantes de paisagem configurados no interior da escrita euclidiana, que, por contrastarem nos seus respectivos caracteres, balizam um ao outro de forma a obstar a emergência de uma terceira paisagem. Se a opção euclidiana pelo descritivismo científico indicava a crença no potencial de captação objetiva do olhar, conforme iremos avançando na leitura desta parte, seremos capazes de verificar que as características da natureza naquele cenário vão resistir de maneira particular à neutralidade exigida pela objetivação do mundo visível. Sublinhar, aqui, o
elemento de resistência significa desde já chamar a atenção para uma tensão entre o controle do propósito científico euclidiano sobre a natureza e o realce do elemento dramático na paisagem. Tensão, portanto, que se traduzirá no embate do que se espera pela busca de neutralidade descritiva com a sensibilização despertada a partir do contato íntimo com a natureza. É dominantemente sob esse tensionamento que a narrativa da primeira parte d'Os Sertões se desenvolverá.


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