A peregrinação do corpo e da consciência nos mares de Fernão Mendes Pinto

Glória Alhinho

Resumo


Segundo o ensaísta Eduardo Lourenço, Fernão Mendes Pinto atravessa a designada aventura do mar, no século dezesseis, com a totalidade do seu ser. A exemplaridade desta vivência, numa infinidade de espaços, essencialmente pelo Oriente, deu lugar a uma escrita singular e autobiográfica ancorada num duplo compromisso: o de uma consciência coletiva (religiosa, política, económica) e o de uma consciência individual que perscruta um mar múltiplo e habitado por inúmeros pontos de vista para além do português. Esta leitura da Peregrinação questiona a maneira como a experiência do mar conduz um homem ao extremo da sua geografia mental e física e o impacto que isso provoca na sua escrita. Este artigo desenvolve-se a partir de três momentos: num primeiro, através da análise das singularidades da escrita de Fernão Mendes Pinto; num segundo, através das múltiplas experiências físicas que orientam vários pontos de vista a partir dos quais se desvenda o mundo e, por último, a consideração da subjetividade que conduz a narrativa até várias verdades que aparentam este mar português a um corpo sensível no qual se cruzam múltiplas linguagens e imaginários.

Palavras-chave


Fernão Mendes Pinto; Literatura de viagens; Expansão marítima portuguesa; Experiência literária do mar

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