Modernidade alternativa no movimento zapatista de libertação nacional

Bianca Rihan Pinheiro Amorim

Resumo


O Exército Zapatista de Libertação Nacional (ezln) é uma das organizações latino-americanas de maior destaque internacional durante o século xx. A curiosidade despertada, para além das reivindicações legítimas de seus membros, como o fim das opressões aos povos indígenas e à cultura maia, assim como a garantia de democracia, liberdade e justiça a todos os mexicanos, é decorrente da ampliação do Exército Zapatista em Movimento Zapatista e do exercício de sua “nova política”, que incorpora uma prática vigorosa de produção e reprodução de informações através de novas tecnologias; experimenta inovações tecnológicas e organizativas que permitem o amadurecimento e a construção prática de seu processo de autonomia; conjugando-as a muitas características consideradas tradicionais, principalmente relacionadas às maneiras de lidar com a natureza e os símbolos, próprias de suas origens indígenas e camponesas. Assim, apesar das representações corriqueiras herdeiras do pensamento racional-iluminista sobre os indígenas tenderem a reduzi-los a uma unidade essencial e estática, este trabalho tem o objetivo de apresentar os zapatistas atuando em múltiplas dimensões, construídas a partir de uma série de estratégias, alianças, modos de ser, sentir e de se relacionar, que animam uma população usualmente traduzida pelo primitivismo e atraso, mas que inaugurou um novo caminho de resistência na América Latina, ajudando a reconfigurar, ainda, os debates sobre tradições e modernidades nas ciências sociais.

Palavras-chave


Movimento zapatista; Modernidade alternativa; Resistência

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