Pós-modernismo formal em Diário de um ano ruim, de J. M. Coetzee

João Pedro Wizniewsky Amaral, Raquel Trentin Oliveira

Resumo


Diário de um ano ruim é um romance do escritor sul-africano J. M. Coetzee, em que há três narrativas simultâneas, cada uma com um narrador diferente, divididas por um traço que percorre toda a página. A partir de uma discussão teórica sobre o pós-modernismo aplicado à literatura, este artigo tem como objetivo analisar como a forma de Diário de um ano ruim contempla as quatro principais características deste movimento: o dinamismo da forma, a desconstrução de gêneros literários, a ex-centricidade e a ironia. Para a discussão teórica e a análise do texto, foram usadas pesquisas de Hutcheon (1998), Jameson (1991) e Deleuze e Guattari (1995), autores que problematizam sobre o pós-modernismo, além de estudos sobre literatura de Barthes (1987) e Eco (1991). Como resultados, essas características do pós-modernismo são percebidas na forma da obra extrapolando limites considerados rígidos do texto, como hibridismo e desconstrução do gênero literário. Ainda, Diário de um ano ruim bagunça com os valores outrora inflexíveis da linguagem, necessitando uma relação mais intensa do leitor com a linguagem, pois este precisa relacionar as diversas lacunas e fazer inúmeras ligações possíveis entre a(s) narrativa(s) a fim de buscar alguma unificação na obra

Palavras-chave


Literatura estrangeira; Literatura pós-moderna; J.M. Coetzee

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Referências


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