A Amazônia do “romance amazônico” – observações sobre a crítica aos romances de Inglês de Sousa e sua relação com relatos de viajantes

Leandro Thomaz de Almeida

Resumo


O artigo parte de um levantamento da recepção crítica dos romances e contos de Inglês de Sousa para apontar o que considera um problema recorrente nela, qual seja, a afirmação de que essa literatura seria marcada por um caráter testemunhal, responsável pela sua designação em termos de “retrato fiel” e “objetivo” da realidade. Ao mesmo tempo em que se questiona essa leitura, propõe-se uma comparação entre trechos de romances e relatos de viajantes, como Walter Bates e Louis Agassiz, a fim de mostrar que algumas passagens semelhantes nos dois casos pode indicar uma das possíveis fontes do romancista na composição de sua obra, sugerindo, assim, que a representação de uma paisagem tipicamente brasileira pode ter sido construída a partir de um processo de “transferência cultural”. A partir disso, teríamos um entendimento mais complexo a respeito da construção da imagem da Amazônia no chamado “romance amazônico”.

Palavras-chave


Romance; Representação; Viajantes; Inglês de Sousa

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