O algoritmo como poeta do ciberespaço: da idealização do mesóstico de John Cage à programação computacional

Gabriela Bruschini Grecca, Márcio Roberto do Prado

Resumo


O objetivo deste artigo é realizar uma análise sobre o programa Mesostomatic, um código idealizado pela Universidade da Pennsylvania que gera poemas por algoritmo. Esse projeto foi criado com base nos mesósticos computacionais de John Cage, os quais reliam outras obras (Finnegan’s Wake, por exemplo) através de um nome disposto verticalmente no meio dos versos – ou, em termos mais usados, a “espinha” do poema. No caso do programa, qualquer pessoa com acesso à Internet pode digitar uma palavra que sirva de espinha e um link para a busca de palavras que preencham os espaços entre as letras – valendo-se, portanto, mais de uma questão de caracteres do que de semântica. No presente texto, uma discussão será apresentada sobre algumas questões que envolvem a disseminação de tal prática de uma poética computacional – como o lugar do valor artístico e a autoria. Para isto, o trabalho conta com o suporte teórico de Gilles Deleuze e seus princípios da filosofia do rizoma. Assim, poderá ser notado um estremecimento das disposições binárias entre autor-leitor e produção-produto, em prol de um lugar para a multiplicidade e a heterogeneidade das obras.

Palavras-chave


Poesia Norte-americana; Programação; Mesostomatic

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Referências


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