Questões histórico-sociais e de gênero em Jacques, o fatalista, de Denis Diderot

Nilson Adauto Guimarães da Silva

Resumo


Neste artigo, são apresentadas a sociedade de Ancien Régime, na França do século xviii, e a atuação de filósofos e literatos que buscam intervir nas questões da cidade, sem perder de vista a importância da ciência para o estabelecimento de uma nova ordem. A ciência, que eles contribuem para divulgar, lhes dá modelos, objetos e métodos para uma apreensão racional do mundo, o combate às superstições, liberdade para pensar, agir e conhecer. A dúvida metódica cartesiana atinge a política, a moral e a teologia, que são submetidas ao exame crítico. Discute-se a obra de Denis Diderot, atribuindo-lhe o lugar e a função de filósofo: a Enciclopédia ou Dicionário Razoado das Ciências, Artes e Misteres, de que Diderot foi líder e principal empreendedor, divulgou as luzes e combateu a intolerância e o despotismo, confirmando o lugar da reflexão científica e o laço entre ciências da natureza e ciências humanas. Diderot escreveu, também, peças de teatro, romances, contos, diálogos e ensaios, com o intuito de combater a superstição e o preconceito e apresentou uma reflexão aprofundada sobre a escrita romanesca e os tipos de efeito de realidade que ela implica. O relato sobre um casamento singular, inserido no romance de sua autoria Jacques, o fatalista é aqui lido na perspectiva do combate das Luzes, à luz dos conceitos de dominação e violência simbólica de Pierre Bourdieu.

Palavras-chave


Luzes; Enciclopédia; Denis Diderot; Jacques, o fatalista; Violência simbólica

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Referências


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