CORPO EMBRANQUECIDO: A PERFORMANCE NEGRA COMO LUGAR DE VISIBILIDADE DOS CORPOS INSURGENTES

Rodrigo Severo dos Santos

Resumo


O presente texto tem por objetivo apresentar ações performativas de artistas afrodiaspóricos que abordam em suas obras gestos críticos sobre a política do branqueamento. A ideologia racista do branqueamento se torna presente no Brasil após a Abolição da escravatura. Ela foi entendida como projeto de nação defendida pelas elites brancas em meados do século XIX, e começo do século XX, que pretendia atingir uma higienização moral e cultural da sociedade brasileira por meio do clareamento da população. Dentre as performances elencadas neste estudo, encontram-se três ações que refletem sobre o branqueamento: Antônio Obá (Atos da Transfiguração: Desaparição ou Receita para Fazer um Santo, 2015), Musa Michelle Mattiuzzi (Merci Beaucoup, Blanco! 2015), e Renato Felinto (White Face and Blonde Hair, 2012). Para análise das ações, percorro um itinerário teórico, partindo dos estudos sobre branqueamento e branquitude no Brasil a partir de autores como Maria Aparecida Silva Bento (2012), Abdias Nascimento (2017), Lourenço Cardoso (2014), Lia Vainer Schucman(2012), Kabengele Munanga (1986) dentre outros (as).

Palavras-chave


Performance negra; Política do branqueamento; Artistas afrodiaspóricos; Corpo negro

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