Literatura Amazônica à margem do cânone, apesar de premiada

Regina Barbosa Costa, Edvaldo Santos Pereira

Resumo


O cerne deste trabalho está pautado em indagações a respeito da escolha de obras literárias e autores para o cânone brasileiro, colocando-se em discussão a querela que envolve o reconhecimento qualitativo de uma obra e, consequentemente, de um autor. Para isso aponta-se, por um lado, autores premiados que não alcançam o cânone e, por outro, autores de discutível qualidade literária promovidos ao cânone. Nesse sentido, destacam-se dois autores do Norte que obtiveram premiações em concursos nacionais: o poeta Bruno de Menezes, premiado no concurso “Onze chaves de ouro de Guilherme de Almeida”, promovido pela Academia de Letras de Ilhéus, e o romancista Dalcídio Jurandir, premiado no concurso “Dom Casmurro”, realizado pela editora Vecchi, do Rio de Janeiro, dentre outras honrarias. Apesar de premiados e estudados amplamente pelas universidades paraenses, esses escritores continuam à margem da história da literatura brasileira que, mesmo em constante reconstrução, é escrita de forma subjetiva pelos construtores de uma crítica literária nacional que seleciona obras, privilegiando produções de locais hegemônicas do Brasil, salvo raras exceções. Assim, é mantida a escolha de autores com obras nem sempre de boa qualidade, deixando à margem do cânone, autores de outras regiões, merecedores de reconhecimento.


Palavras-chave


Cânone Literário; Autores Premiados; Bruno de Menezes; Dalcídio Jurandir

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