O centenário do Goncourt de Proust: da “proustituição” a uma consagração en abyme, um lugar de memória

Luciana Persice Nogueira-Pretti

Resumo


Com um início de carreira conturbado, em que é visto como esnobe decadente, para, mais tarde, ser rotulado de esteta burguês, Marcel Proust enfrenta críticas pessoais e descrença quanto ao seu talento literário. A obtenção do Prêmio Goncourt por seu segundo romance, em 1919, abre caminho para uma nova fase na recepção de sua obra, de um leitorado mais amplo, mas não garante que ela seja predominantemente positiva: os ataques persistem, e a decisão do júri será vista, por alguns críticos mais acerbos, como escandalosa “proustitution”. Cem anos depois, o Prêmio Goncourt será uma festa, de eleição de mais um título, mas também de rememoração de À l’ombre des jeunes filles en fleurs, numa celebração múltipla, e en abyme, do romance, de seu autor, de seu editor, e do próprio concurso. Percorremos o roteiro de luz e sombra da relação entre a obra proustiana e seus críticos, com vistas a ressaltar e (re)dimensionar a importância do Prêmio Goncourt de 1919 e de sua celebração em 2019, inclusive enquanto “lugar de memória” (COMPAGNON 1992, NORA 2013, LAGET 2020)

Palavras-chave


Prêmio Goncourt; Marcel Proust; centenário

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Referências


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