Sobre as máquinas

Félix Guattari

Resumo


O tema da máquina me habita há muito tempo, e talvez menos como um objeto conceitual do que como um objeto afetivo. Sempre me chamou à atenção, e eu sempre fui fascinado pela máquina. Quando eu estudava na Sorbonne, lembro-me de ter feito uma apresentação sobre Le travail em miettes de Friedmann, e do olhar horrorizado do professor, enquanto eu lançava invectivas contra Friedmann; naquela época, eu era muito virulento contra as visões mecanicistas da máquina. Eu pensava, atraído quem sabe pelo cientismo, que se podia esperar da máquina um tipo de salvação. Consequentemente, eu tentei alimentar esse objeto maquínico. Devo confessar que não se trata de algo que eu domino, mas de um tipo de núcleo ao qual eu sou levado de volta em ciclos. O último foi desencadeado pelo livro de Pierre Lévy, Les technologies de l’intelligence, no qual tive a surpresa de encontrar uma reativação dessa temática em um registro que é o seu: o das tecnologias informáticas. Dito de outro modo, eu reivindico o direito a essa forma de pensamento que procede por eixos afetivos, por afetos, mais que um pensamento que pretende fornecer uma descrição científica, axiomática. Repito, trata-se de uma temática totalmente aberta e eu adoraria que ela assim permaneça durante a discussão, a fim de perceber os ecos que esse tipo de reflexão pode despertar.


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