A memória do futuro nas múltiplas lentes do curta "Manhã Cinzenta"

Joana D'Arc Fernandes Ferraz

Resumo


O curta Manhã Cinzenta (1969), de Olney São Paulo, ao deslocar-se do olhar mórbido do terror produzido pela violência do Estado no período da ditadura empresarial-militar brasileira, opera como uma força e um desejo que não se ajustam a uma atitude de perda, de fracasso e nem de paralisia em relação ao acontecido e ao futuro. As suas imagens, em variados planos, constroem temporalidades superpostas como intensidades construídas a partir dos sentimentos e das memórias das sensações que estas lembranças evocam. Ativam em nós aquilo que a memória carrega como potência, como vida, como memória do futuro. A repetição das cenas perfura o tempo do acontecido e extrai dele a diferença para além do seu sentido histórico, ordenado e racionalmente interpretado. No curta, os sentidos a-histórico e supra-histórico (Nietzsche) agem em nós como ponte. Conectam-nos ao inventar-se coletivo, em ato de criação e de afirmação de outros possíveis. Fundamental neste momento em que os nossos corpos lutam para não serem capturados pelo medo, pela doença e pelo desânimo, neste cenário da pandemia de COVID-19.


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