A dramática do discurso verdadeiro na relação entre parresía político e democracia
Resumo
O objetivo do presente artigo consiste em analisar a noção de parresía política no pensamento de Michel Foucault, examinando a relação entre ética e o estatuto da democracia ateniense, bem como os efeitos das práticas discursivas de verdade e as dinâmicas de poder na produção de subjetividade. Retomando brevemente o deslocamento metodológico operado em seus últimos cursos no Collège de France, sob a cátedra de "História dos sistemas de pensamento", busca-se realizar aproximações sobre a maneira como o autor reinterpreta a filosofia prática da antiguidade grega. Valendo-se do conceito de foco de experiência, serão revisitados e articulados três eixos fundamentais propostos pelo filósofo francês: as formas de veridicção, os procedimentos de poder e os modos de subjetivação. Sendo assim, a abordagem pretende explorar os processos pelos quais os discursos de verdade, os exercícios de poder e a produção de subjetividade se entraçam na constituição histórica de estilos de existência e práticas de liberdade, compreendendo o vínculo necessário e paradoxal da relação entre democracia e parresía política. Por fim, a partir das investigações conduzidas por Foucault, será verificado as potencialidades da composição agonsítica do jogo político enquanto condição de possibilidade para a vitalidade das artes de governar e a afirmação de estilo de vida outros.