Entre o juízo final e a dança macabra

transformações na iconografia da morte após a Peste Negra (séculos XIV–XV)

Auteurs

  • Allef Gustavo Silva dos Santos UFMA
  • Marcus Vinicius de Abreu Baccega UFMA

DOI :

https://doi.org/10.55702/medievalis.v15i1.75101

Mots-clés :

História da morte, Iconografia, Peste Bubônica, Regimes visuais da morte

Résumé

Este artigo analisa a transformação da representação visual da morte no decorrer do século XIV, estabelecendo uma abordagem seriada das imagens produzidas ao longo desse intervalo. O estudo parte da hipótese de que a pandemia da Peste Bubônica (1347–1352) constituiu um ponto de inflexão na sensibilidade europeia diante da mortalidade, produzindo mudanças profundas nas formas de representação iconográfica da morte. Antes da crise epidêmica, predominavam representações escatológicas centradas no Juízo Final, nas quais a morte era representada como passagem para a ordem transcendente do julgamento divino. Após a pandemia, emergiram novas formas visuais nas quais a morte passou a ser personificada, frequentemente representada como esqueleto ativo que interage com os vivos, como nas representações da Dança Macabra. Para analisar esse processo, o estudo combina análise iconográfica comparativa com abordagem histórica de longa duração, examinando obras produzidas entre o período carolíngio e o século XIX. A coleção inclui esculturas, pinturas murais, iluminuras, gravuras. Os resultados indicam que a Peste Bubônica contribuiu para deslocar o regime visual da morte de um paradigma escatológico coletivo para uma pedagogia visual da mortalidade individual e universal. Esse deslocamento se intensificou nos séculos posteriores, influenciando representações barrocas, românticas e historicistas da morte. A análise demonstra que as imagens não apenas refletem transformações culturais, mas também atuam como instrumentos de pedagogia social da mortalidade.

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Références

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Publiée

2026-08-21

Numéro

Rubrique

Artigos