What’s in a name? a sida na narrativa portuguesa contemporânea, entre inscrição e silêncio

Paulo Alexandre Pereira

Resumo


Pretende-se, neste artigo, analisar a tematização da sida na narrativa portuguesa contemporânea, partindo de uma prospeção não exaustiva da sua inscrição ficcional num corpus selecionado – e que integrará narrativas de Guilherme de Melo, Domingos Lobo, Eduardo Pitta, Teolinda Gersão, Pedro Vieira ou Inês Pedrosa – para, em momento posterior, averiguar as razões explicativas da presença lateral ou rarefeita da doença no romance português contemporâneo. Com efeito, na ficção portuguesa contemporânea, é verdadeiramente excecional a presença de uma (auto)ficção de sentido agónico-testemunhal, consubstanciada num romance da sida, ao invés do que se verifica noutros campos literários. Assim, partindo de uma recolha representativa de narrativas em que a experiência da sida assume variável relevância diegética, nelas se analisará a presença vestigial da doença, tentando justificar a exploração mais assídua do tema em obras excêntricas ou tangenciais ao cânone literário, frequentemente próximas do romance documental.


Palavras-chave


sida, narrativa portuguesa contemporânea, silêncio, representação literária da doença.

Texto completo:

PDF

Referências


AL BERTO. Diários. Lisboa: Assírio & Alvim, 2013.

ALÓS, Anselmo Peres. Corpo infectado/corpus infectado: aids, narrativa e metáforas oportunistas. Revista de Estudos Feministas. v. 27, nº 3, p. 1-11, 2019.

ANTUNES, António Lobo. Que farei quando tudo arde? Lisboa: Dom Quixote, 2001.

BESSA, Marcelo Secron. Histórias Positivas. A literatura (des)construindo a aids. Rio de Janeiro: Record, 1997.

CASCAIS, António Fernando. Da virulência. In: A Sida por um fio. Lisboa: Vega, 1997, p. 7-26.

_____ Diferentes como só nós. O associativismo GLBT em três andamentos. Revista Crítica de Ciências Sociais, 76, p. 109-126, dez. 2006.

CUROPOS, Fernando. E a Noite passou a ser de trevas: a Sida como catástrofe. Catalonia, 15, p. 1-8, 2015.

DEAN, Tim; RUSZCZYCK, Steven. Aids Literatures. In: MCCALLUM, E. L.; TUHKANEN, Mikko (ed.). The Cambridge History of Gay and Lesbian Literature. Cambridge: Cambridge University Press, 2014, p. 712-731.

DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. Kafka. Por uma literatura menor. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 1975.

GERSÃO, Teolinda. Se por acaso ouvires esta mensagem. In: A mulher que prendeu a chuva e outras histórias. Lisboa: Sextante Editora, 2007, p. 85-89.

GIL, José. Portugal, Hoje. O Medo de Existir. Lisboa: Relógio d’Água Editores, 2004.

GUIBERT, Hervé. La mort propagande. Paris: Gallimard, 2009.

JACCOMARD, Hélène. Les écrits du sida: heurs et malheurs d’un nouveau corpus. Essays in French Literature, 37, p. 88-113, nov. 2000.

KLEIN-SCHOLZ, Christelle. "I remember when a diagnosis was a death sentence": lʼécriture du SIDA et de la mort dans la littérature gay. David Feinberg, Tony Kushner et Armistead Maupin. Tese de Doutoramento. Aix-en-Provence: Université Aix-Marseille, 2014.

LAMONTAGNE, Lydia. L’écriture du SIDA et le transgénérique dans la littérature française. Voix plurielles, 1.2, p. 2-12. fev. 2005

LÉVY, Joseph; NOUSS, Alexis. Sida-fiction. Essai dʼanthropologie romanesque. Lyon: Presses Universitaires de Lyon, 1994.

LOBO, Domingos. Pena Capital. In: Território Inimigo. Chamusca: Edições Cosmos, 2009, p. 29-43.

MELO, Guilherme de. Como um rio sem pontes. Lisboa: Editorial Notícias, 1992.

OLIVEIRA, Álamo. Já não gosto de chocolates. Lisboa: Edições Salamandra, 1999.

PEARL, Monica B. AIDS Literature and Gay Identity. The Literature of Loss. New York: Routledge, 2013.

PEDROSA, Inês. Dentro de ti ver o mar. Lisboa: Dom Quixote, 2012.

PITTA, Eduardo. Fractura. A condição homossexual na literatura portuguesa contemporânea. Braga: Angelus Novus Editora, 2003.

_____ O Sexo dos Anjos. Revista Ler, nº 109, p. 41, jan. 2012

_____ Cidade Proibida. Lisboa: Planeta, 2013a.

_____ Um rapaz a arder. Memórias 1975-2001. Lisboa: Quetzal, 2013b.

RENDELL, Joanne. A Testimony to Muzil: Hervé Guibert, Foucault, and the Medical Gaze. Journal of Medical Humanities. v. 25, nº 1, p. 33-45, 2004.

SONTAG, Susan. A Doença como Metáfora e A Sida e as Suas Metáforas. Lisboa: Quetzal Editores, 1998.

SOUSA, Alexandre Nunes de. Da epidemia discursiva à era pós-coquetel: notas sobre a memória da aids no cinema e na literatura. In: Anais do II Seminário Internacional em Memória Social. Rio de Janeiro: PPGMS/Unirio, 2016. Disponível em

SPOIDEN, Stéphane. La littérature et le sida. Archéologie des représentations d’une maladie. Toulouse: Presses Universitaires du Mirail, 2001.

TREICHLER, Paula. AIDS, Homophobia, and Biomedical Discourse: An Epidemic of Signification. In PARKER, Richard; AGGLETON, Peter (ed.). Culture, Society and Sexuality. A Reader. London: UCL Press, 1999, p.357-386.

VIEIRA, Pedro. Última Paragem, Massamá. Lisboa: Quetzal, 2011.




DOI: https://doi.org/10.35520/metamorfoses.2020.v17n1a34602

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Direitos autorais 2021 Metamorfoses - Revista de Estudos Literários Luso-Afro-Brasileiros


Licença Creative Commons
A Revista Metamorfoses utiliza uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial 4.0 Internacional.


Indexadores e bases bibliográficas:

Google Acadêmico EZBSudoc  Base DRJI WorldCat  Diadorim