Austeridade, governança da Zona do Euro e recuperação desigual nas economias periféricas: uma análise pós-keynesiana em diálogo com a Economia Política Internacional
Resumo
Este artigo analisa, sob uma perspectiva pós-keynesiana em diálogo com a Economia Política Internacional, a trajetória pós-crise de Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha, tratados como economias periféricas no interior da governança da Zona do Euro. Metodologicamente, combina-se uma análise histórico-interpretativa com o exame descritivo e comparativo de indicadores fiscais, produtivos, sociais e externos. Argumenta-se que a condução da crise europeia, marcada pelas políticas de austeridade, pelas condicionalidades associadas aos mecanismos de assistência financeira e pelos constrangimentos institucionais da união monetária, contribuiu para aprofundar as dificuldades econômicas e sociais dessas economias, em vez de assegurar uma recuperação sólida. A abordagem pós-keynesiana evidencia os efeitos contracionistas da austeridade sobre a demanda, o produto, o emprego e a arrecadação, enquanto a Economia Política Internacional permite situar sua adoção no interior das relações assimétricas entre países credores e devedores e das hierarquias que estruturam a governança do euro. Os resultados apontam para uma recuperação desigual e particularmente frágil no caso da Grécia.
Palavras-chave: políticas de austeridade; Grécia; economia pós-keynesiana; economia política internacional; governança do euro.
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