A GARANTIA DO SEGUIMENTO INDÍGENA: CIÊNCIA RITUAL, REDE PROKÁ E REVITALIZAÇÃO LINGUÍSTICA NO SUBMÉDIO SÃO FRANCISCO

Autores

  • Leandro Durazzo Museu Nacional, Universidade Federal do Rio de Janeiro

DOI:

https://doi.org/10.61358/policromias.v6i2.46720

Palavras-chave:

Revitalização Linguística. Ritual. Educação Escolar Indígena. Povo Tuxá. Povos Indígenas do Nordeste.

Resumo

O Nordeste indígena brasileiro costuma ser considerada região etnológica onde, à exceção de grupos do Maranhão e dos Fulni-ô de Pernambuco, nenhuma língua nativa permanece viva. Entretanto, em anos recentes, sobretudo a partir da inserção de sujeitos indígenas nos sistemas de educação escolar indígena e ensino superior formal, tal discurso hegemônico vem sendo contestado, enfatizando a existência de contextos de uso e registros linguísticos, como o ritual, que ultrapassam e subvertem a normalização do português. Este artigo ref lete sobre tal processo a partir de nossa experiência etnográfica entre os Tuxá de Rodelas, do norte da Bahia, bem como de nossa circulação, juntamente a atores tuxá, entre seus parentes Truká de Pernambuco, lançando mão também de dinâmicas recentes que aproximam povos como os Tumbalalá (BA), Tingui Botó (AL) e Kariri-Xocó (AL) dessa empreitada de valorização de línguas chamadas ancestrais. Atualmente, fazendo uso de documentos coloniais missionários e trabalhos linguísticos contemporâneos que elaboraram a língua Dzubukuá, tais povos desenvolvem projetos de revitalização linguística em seus contextos escolares, estabelecendo redes ainda incipientes de troca e cooperação interétnica, mas que apontam para o fortalecimento, por meio da língua, de grupos política e historicamente aproximados, potencialmente reconfigurando o cenário etnológico da região. Concluímos descrevendo uma dinâmica sociolinguística amparada na dimensão ritual do povo Tuxá que, surgida espontaneamente no âmbito de um grupo de trabalho para revitalização linguística do Dzubukuá, permite-nos pensar o encontro de múltiplos saberes, advindos ao mesmo tempo do estudo linguístico e do conhecimento ritual.

Referências

O Nordeste indígena brasileiro costuma ser considerada região etnológica onde, à exceção de grupos do Maranhão e dos Fulni-ô de Pernambuco, nenhuma língua nativa permanece viva. Entretanto, em anos recentes, sobretudo a partir da inserção de sujeitos indígenas nos sistemas de educação escolar indígena e ensino superior formal, tal discurso hegemônico vem sendo contestado, enfatizando a existência de contextos de uso e registros linguísticos, como o ritual, que ultrapassam e subvertem a normalização do português. Este artigo reflete sobre tal processo a partir de nossa experiência etnográfica entre os Tuxá de Rodelas, do norte da Bahia, bem como de nossa circulação, juntamente a atores tuxá, entre seus parentes Truká de Pernambuco, lançando mão também de dinâmicas recentes que aproximam povos como os Tumbalalá (BA), Tingui Botó (AL) e Kariri-Xocó (AL) dessa empreitada de valorização de línguas chamadas ancestrais. Atualmente, fazendo uso de documentos coloniais missionários e trabalhos linguísticos contemporâneos que elaboraram a língua Dzubukuá, tais povos desenvolvem projetos de revitalização linguística em seus contextos escolares, estabelecendo redes ainda incipientes de troca e cooperação interétnica, mas que apontam para o fortalecimento, por meio da língua, de grupos política e historicamente aproximados, potencialmente reconfigurando o cenário etnológico da região. Concluímos descrevendo uma dinâmica sociolinguística amparada na dimensão ritual do povo Tuxá que, surgida espontaneamente no âmbito de um grupo de trabalho para revitalização linguística do Dzubukuá, permite-nos pensar o encontro de múltiplos saberes, advindos ao mesmo tempo do estudo linguístico e do conhecimento ritual.

Downloads

Publicado

2021-09-29

Edição

Seção

Dossiês