"UFF território livre de fascista": embates e combates políticos na disputa por sentidos

Autores

DOI:

https://doi.org/10.61358/policromias.2026.v11n1.72830

Palavras-chave:

Análise do Discurso, Dessignificação, Testemunho de resistência

Resumo

Em maio de 2025, na Universidade Federal Fluminense, a entrada de um grupo alinhado à extrema-direita provocou uma série de confrontos entre tal grupo e a comunidade acadêmica, resultando em agressões físicas. Filiados à Análise do Discurso materialista, podemos dizer que esse embate/combate remete a uma memória de luta política ao mesmo tempo em que a atualiza em face das presentes condições de produção, a saber, a atualidade das formas de ocupação de grupos de extrema-direita em espaços públicos visando a fiscalizar supostas práticas ideológicas, registrá-las em vídeos e postar em suas redes sociais. Nesse ponto de encontro entre memória e atualidade, esse ‘acontecimento discursivo’ (Pêcheux, 2012 [1983]) produziu enunciados, materialidades significantes que este trabalho teve como objetivo analisar. Tai enunciados dão a ver, na materialidade da língua, diferentes posições em jogo. Dentre eles, uma faixa, afixada na entrada da Universidade, no dia seguinte ao ocorrido. A partir dos dizeres “UFF território livre de fascista”, um gesto de análise permite dizer que a faixa constitui uma forma de resistência no simbólico, ‘testemunho de resistência’ (Mariani, 2021) frente ao memoriável da violência.

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Biografia do Autor

Bethania Mariani, Universidade Federal Fluminense (UFF)

É professora titular do Departamento de Ciências da Linguagem da Universidade Federal Fluminense. É especialista em Análise do Discurso e em História das Idéias Linguísticas e tem como principais áreas de interesse o discurso político, discurso jornalístico, políticas linguísticas e a discursividade no testemunho. É bolsista de produtividade científica do CNPq (nível 1B) e bolsista Cientista do Nosso Estado pela FAPERJ (terceira vez). Concorreu, foi selecionada e ocupou a Chair des Amériques na Université de Rennes 2, entre fevereiro e março de 2023. Fundou e coordenou o Grupo de Teoria do Discurso (GTDIS 2008-2019). Fundou e organizou com Vanise Medeiros e Silmara D. Silva o Laboratório Arquivos do Sujeito (LAS/UFF) em 2008. Criou e organizou a Enciclopédia Virtual do Discurso e áreas afins (WWW.ENCIDIS-uff.br). Desde 2018, é editora-chefe da revista Gragoatá, responsável pelos números de Linguagem. É uma das organizadoras do instagram da Gragoatá, criado em janeiro de 2023. Desde janeiro de 2022 é coordenadora do Fórum de Editores de Periódicos Centíficos da UFF. Em setembro, 2021, passou a integrar o comitê de Comunicação, Letras, Linguística e Artes (CLA) da Faperj. Foi convidada em fevereiro, 2023, a integrar a Comissão de Equidade, Diversidade e Inclusão da FAPERJ. Em 2023 passou a integrar o Comitê de Transferência de Conhecimento e Divulgação de Ciência do PPG em Estudos de Linguagem UFF. Em abril de 2024, foi eleita para atuar na Coordenação do Fórum de Editores de Periódicos Científicos da ANPOLL (FEANPOLL). Foi membro do CA de Letras e Linguística do CNPq entre 2013 e 2016. Recebeu auxílio pelo Edital Universal-CNPq, em 2008 em 2017; pela FAPERJ recebeu fomento do edital HUMANIDADES (2013), auxílio para Editoração (2011) e para Editores científicos (2021). Também recebeu auxílios FOPESQ (UFF) para eventos ligados à ENCIDIS e à Divulgação Científica. É membro da ABRALIN, da ALED, da ALFAL e do BRASA. Tornou-se coordenadora do convênio entre o LAS e os Laboratórios coordenados por Gian Luigi de Rosa (Laboratório IFALA, Universidade de Roma 3, desde 2018, ainda vigente) e por Marie-Anne Paveau (Université Paris XIII, convênio atualmente finalizado). Tem graduação em Letras (1982) pela PUC do Rio de Janeiro, mestrado (1989) e doutorado (1996) em Linguística pela Universidade Estadual de Campinas. Em 2001, fez pós-doutorado na Stanford University, USA, e em 2018 na UFRGS. Por fim, cabe acrescentar que fez, também, formação em Psicanálise desde 2001.

Kitylla Gevezier Paredes, Universidade Federal Fluminense (UFF)

Possui graduação em Letras - Português e Literatura, mestrado em Estudos de Linguagem (bolsista CNPq) e atualmente é doutoranda em Estudos de Linguagem (bolsista CNPq), todas as formações pela Universidade Federal Fluminense. Atualmente é professora da educação básica da Prefeitura Municipal de Petrópolis e possui experiência na área de Linguística, com ênfase em Ensino de línguas. Na pós-graduação, pesquisa principalmente nos seguintes temas: Análise do Discurso, História das Ideias Linguísticas e Discursividade Saussuriana. É sócia colaboradora na Associação Brasileira de Linguística (Abralin), membro do Grupo de Trabalho de Análise do Discurso da Associação Nacional de Pós Graduação e Pesquisa em Letras e Linguística (Anpoll) e membro da Associação Brasileira de Análise do Discurso (AbrAdis). Tem interesse nos seguintes temas: Linguagem e Ciência, Linguagem na História do Pensamento Humano, Linguagem e Tecnologias, Matematizações da Linguagem, Teorias Linguísticas, Pensamento Saussuriano e Tecnologias na Educação. É também escritora, tendo publicado dois romances e participado de antologias. Foi membro jovem e coordenadora do Anexo de Jovens Escritores da Academia Friburguense de Letras.

Amanda Batista da Silva, Universidade Federal Fluminense (UFF)

Doutoranda em Estudos de Linguagem na Universidade Federal Fluminense. Mestra em Letras pela Universidade Federal de Lavras (UFLA) e graduada em Letras Port/Inglês pela Universidade Paulista (2019). É integrante do Grupo de Pesquisa Discursividades em circulação (UFF) e do Grupo de Pesquisa Leitura e Produção de Discursos (UFLA). Foi bolsista pela FAPEMIG no mestrado. É filiada à Associação Brasileira de Análise do Discurso (AbrADis) e à Associação Brasileira de Linguística (Abralin). Em 2025, passou a integrar o Grupo de Trabalho Transferência de Conhecimento e Popularização da Linguística do PPG em Estudos de Linguagem (UFF).

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Publicado

07.05.2026

Edição

Seção

Autores convidados