Historicidade do discurso de ódio e a retirada de direitos como basilar do estado de exceção

Autores/as

DOI:

https://doi.org/10.61358/policromias.2026.v11n1.73488

Palabras clave:

Discurso de ódio, Extremismo, Intolerância

Resumen

O presente artigo analisa a historicidade do discurso de ódio e sua relação com a retirada de direitos, compreendida como elemento estruturante do estado de exceção. A partir da Análise de Discurso materialista franco-brasileira, investiga-se como os sentidos de intolerância e exclusão são produzidos e naturalizados em formações discursivas atravessadas por ideologia, política e religião. O estudo evidencia que o discurso de ódio não é um fenômeno isolado, mas resultado de processos históricos e sociais que constroem o “outro” como ameaça, legitimando práticas de discriminação e violência. Por meio de recortes empíricos do cenário político brasileiro recente, demonstra-se como tais discursos podem extrapolar o plano simbólico e materializar-se em ações concretas, inclusive letais. Discute-se, ainda, o papel do Direito enquanto discurso normativo que, embora se apresente como garantidor de direitos, também atua como aparelho ideológico capaz de reproduzir desigualdades. Conclui-se que o enfrentamento do discurso de ódio exige não apenas respostas jurídicas, mas uma compreensão crítica de suas condições de produção e circulação na sociedade contemporânea.

 

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Biografía del autor/a

Fabio Neuhaus, Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul)

Advogado e doutorando em Ciências da Linguagem, na Universidade do Sul de Santa Catarina - Unisul

Graduação em Ciências Contábeis pela Universidade Federal de Santa Catarina (1999); Possui graduação em Direito pela Universidade do Sul de Santa Catarina (2014); Tem experiência na área de Administração e Gestão Financeira, com ênfase em Ciências Contábeis.Participação, em 2015, em New York, da Retails Big Show, convenção mundial promovida pela Federação Nacional do Varejo (NRF) dos Estados Unidos;Missão técnica, em 2019, através de visitas técnicas a grandes empresas do Vale do Silício: Udemy, Pipefy, Salesforce, GSVLABS - Global Silicon Valley, Agora.IO, Roku, Nvidia, Baybrazil, Plug and Play e também a duas importantíssimas Universidades de San Francisco, Califórnia: Stanford e Santa Clara;Visita técnica ao Departamento de Linguagem da Universidade de Macau, em outubro de 2023;Participação, em 2023, da HKTDC Hong Kong Electronics Fair, em HONG KONG, no período de 13 a 16/10/2023;Participação, em 2023, da 134 Edição da Canton Fair, maior feira de negócios do mundo, na China.

Nádia Neckel, Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul)

Possui graduação em Educação Artística (Licenciatura em Artes Cênicas) pela Universidade Federal de Santa Maria (1998); Especialização em Educação Infantil e Anos Iniciais, pela Universidade do Contestado; Mestrado em Ciências da Linguagem pela Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL, 2004) e Doutorado em Linguística pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP, 2010), tendo feito sanduíche na Universidad de Buenos Aires, Argentina em 2008. Atualmente é docente permanente da Universidade do Sul de Santa Catarina no Programa de Pós-Graduação em Ciências da Linguagem. Tem experiência na área das Artes (Visuais e Cênicas), na área de Educação, Estética e Linguística, com ênfase em Análise do Discurso, o que a faz atuar principalmente nos temas: Artes presenciais e artes do vídeo, Cultura e Corporeidades. Coordenou o GT de Análise do Discurso na Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Letras e Linguística (ANPOLL- 2018-2020). Atualmente desempenha a função de coordenadora adjunta do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Linguagem da Unisul. Docente do Curso de Cinema e Audiovisual na mesma instituição nas áreas de Direção de Arte e Preparação de Elenco. Pós-doutorado IEL/Unicamp com o tema de pesquisa: ''Constituição do corpo-imagem feminino: projeções sensíveis e vulnerabilidade na arte contemporânea''.

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Publicado

2026-05-07

Número

Sección

Autores invitados