Nomes, vestígios e práticas de resistência: religião, cultura e oralidade na Casa das Minas/MA

Autores

DOI:

https://doi.org/10.61358/policromias.2026.v11n1.73668

Palavras-chave:

Casa das Minas, Oralitura, Memória ancestral, Resistência, Testemunho

Resumo

Este artigo analisa os modos pelos quais nomes, práticas religiosas e formas de oralidade na Casa das Minas, em São Luís do Maranhão, funcionam como materialidades discursivas de resistência. Inscrito na perspectiva materialista da análise do discurso, o estudo mobiliza um arquivo heterogêneo composto por textos antropológicos, historiográficos, documentos institucionais e registros da cultura popular na mídia. O objetivo é problematizar a constituição e circulação de discursos sobre origem, segredos e “declínio” da Casa, em tensão com práticas que reinscrevem sua presença ao longo do tempo e na contemporaneidade. Articula-se a noção de materialidades discursivas (Pêcheux, 2016 [1981]), oralitura e tempo espiralar (Martins, 2021) e testemunho (Mariani, 2021a, 2021b). A análise aborda o funcionamento contraditório dos nomes — da fundadora, dos voduns e da casa —, enquanto, no discurso científico, são tomados como índices de origem, nas práticas do Tambor de Mina constituem-se como aquilo que se resguarda no não-dizer. Além disso, a presença da Casa como vestígio testemunhal fura o arquivo oficial e midiático, reinscrevendo-se nas práticas populares. Esses funcionamentos materializam formas de resistência sustentadas na memória discursiva dominante em sua relação com lugares de resistência, com outros ambientes de memória e suas práticas de transmissão, que aqui chamamos de memória ancestral (França, 2024; França; Zoppi-Fontana, 2025).

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Biografia do Autor

Glória Abreu França, Universidade Federal do Maranhão (UFMA)

Professora Adjunta do Curso de Letras/Francês, e do Programa de Pós-Graduação em Letras (PPGLB-Bacabal), da Universidade Federal do Maranhão (2015). Possui Doutorado em Linguística, pelo Instituto de Estudos da Linguagem (IEL) - na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP, com bolsa FAPESP) e Doutorado em Ciências da Linguagem, pela École Doctorale Erasme, Laboratório Pléiade, da Université Paris 13 Sorbonne Paris Cité (Bolsa CAPES/PDSE - 2018) É Mestra em Ciências da Linguagem/Linguística, Linguagem, Línguas e Fala: teorias e práticas, pelo Institut de Linguistique et Phonétique Génerales et Appliquées, ILPGA, pela Universidade Paris 3 - Sorbonne Nouvelle (2012). Possui graduação em Letras (Habilitação em Língua Portuguesa e Francesa, Linguística e Literatura Portuguesa, Brasileira e Francófona), pela Universidade Federal do Maranhão (2008). Professora Visitante convidada da Université Jules Verne - Picardie (2025) Coordena o Grupo de Estudos e Pesquisas em Discursos, Interseccionalidades e Subjetivações (GEPEDIS/CNPq), com um projeto de pesquisa em curso (20213-2025) ''CULTURA, MEMÓRIA E PROCESSOS DE IDENTIFICAÇÃO: leituras materialistas, interseccionais e decoloniais'', agraciado pelo edital universal do CNPq. Integra o grupo de pesquisas Mulheres em Discurso/CNPq, coordenado pela prof. Dr. Monica Zoppi-Fontana. Desenvolve e orienta pesquisas no campo da Linguistica, com enfoque na articulação entre Análise do Discurso (em sua vertente materialista) e Estudos interseccionais e epistemologia decolonial. Semântica, Ensino/aprendizagem de línguas estrangeiras, Políticas linguísticas;.História das Ideias Linguísticas. É coordenadora de estágio obrigatório Letras/Francês e coordenadora pedagógica no projeto de extensão NCL/UFMA.

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Publicado

07.05.2026

Edição

Seção

Autores convidados