Geração cidadã de dados

um estudo de caso sobre iniciativas realizadas na Região Metropolitana do Rio de Janeiro

Autores

DOI:

https://doi.org/10.47681/rca.v11i.73499

Palavras-chave:

Ciência Aberta, Gestão de Dados Cidadã, Gestão Compartilhada de Conhecimento, Abordagem Sociotécnica, Epistemicídio

Resumo

Este artigo apresenta um estudo de caso sobre experiências de gestão cidadã de dados desenvolvidas por organizações que atuam em territórios historicamente marginalizados da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, compreendendo tais práticas como abordagens sociotécnicas e epistemopolíticas, as quais operam no contrafluxo das estruturas hegemônicas de produção, validação e circulação da informação. Inicialmente o estudo apresenta referenciais teóricos sobre os conceitos de ciência aberta e gestão cidadã de dados, gestão compartilhada do conhecimento para o desenvolvimento local articulando-os à teoria crítica da tecnologia, à epistemologia crítica e ao epistemicídio. Em seguida, por meio da coleta secundária de dados, realiza uma análise comparativa entre projetos desenvolvidos por quatro organizações: Casa Fluminense, data_labe, Observatório das Baixadas e Observatório de Favelas das Redes da Maré. A análise identifica estratégias e padrões recorrentes, tais como metodologias híbridas de validação científica, processos colaborativos de produção do conhecimento, uso de tecnologias digitais acessíveis, disputa epistemológica no campo informacional e difusão orientada à incidência política. Os resultados indicam que essas iniciativas articulam ciência, literacia de dados e saberes locais para produzir formas alternativas de conhecimento, enfrentando desafios estruturais e contrapondo processos de invisibilização e epistemicídio de populações em situação de vulnerabilidade. Aspectos que evidenciam o potencial transformador da gestão cidadã de dados na democratização da informação e no desenvolvimento local.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Marlon Vital, Universidade Federal do Rio de Janeiro

Graduado em Engenharia de Produção pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas), Brasil.

Referências

AKAICHI, T. Compartilhamento da informação e do conhecimento na rede dos coordenadores dos programas de pós-graduação em Ciência da Informação. 2014. Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação) – Universidade Estadual de Londrina, Londrina, 2014.

ALBAGLI, Sarita; MACIEL, Maria Lucia. Informação e conhecimento na inovação e no desenvolvimento local. Ciência da Informação, Brasília, v. 33, n. 3, p. 9–16, set./dez. 2004.

ARAÚJO, Paula Carina; RODRIGUES DE LIMA, Karolayne Costa. Práticas de Ciência Aberta. Brasília, DF: IBICT, 2025. Disponível em: https://omp-editora.prd.ibict.br/index.php/edibict/catalog/book/353. Acesso em: 3 dez. 2025.

BENKLER, Yochai. The wealth of networks: how social production transforms markets and freedom. New Haven: Yale University Press, 2006.

BUCHER, Taina. If… then: algorithmic power and politics. Oxford: Oxford University Press, 2018.

CARNEIRO, Sueli. A construção do outro como não-ser como fundamento do ser. 2005. Tese (Doutorado em Educação) — Faculdade de Educação, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2005.

CARNEIRO, Sueli. Escritos de uma vida. São Paulo: Editora Jandaíra, 2011.

CASA FLUMINENSE. Cobradô: plataforma de monitoramento de políticas públicas. Rio de Janeiro, c2014. Disponível em: https://casafluminense.org.br/atuacao/cobrado/. Acesso em: 15 dez. 2025.

CASTELLS, Manuel. A sociedade em rede. 8. ed. São Paulo: Paz e Terra, 2005. (A era da informação: economia, sociedade e cultura, v. 1).

COMITÊ GESTOR DA INTERNET NO BRASIL (CGI.br). Pesquisa sobre o uso das tecnologias de informação e comunicação nos domicílios brasileiros: TIC Domicílios 2024. São Paulo: CGI.br, ٢٠٢٥. Disponível em: . Acesso em: 22 jun. 2026.

DATA_LABE. data_labe: laboratório comunitário de dados da Maré. Rio de Janeiro, [201-]. Disponível em: https://datalabe.org/. Acesso em: 15 dez. 2025.

FEENBERG, Andrew. Transforming technology: a critical theory revisited. Oxford: Oxford University Press, 2002.

FEENBERG, Andrew. O que é a filosofia da tecnologia? In: NEDER, Ricardo T. (org.). A teoria crítica de Andrew Feenberg: racionalização democrática, poder e tecnologia. Brasília, DF: CDS/UnB; Capes, 2010a. p. 51–65.

FOUCAULT, Michel. Microfísica do poder. 29. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1979.

GUTIÉRREZ, Miren. Participation in a datafied environment: questions about data literacy. Comunicação e Sociedade, Braga, n. 36, p. 37–55, 2019. DOI: https://doi.org/10.17231/comsoc.36(2019).2342. Disponível em: . Acesso em: 1 jul. 2026.

JESUS, Paulo de. Desenvolvimento local. In: CATTANI, Antonio David (org.). A outra economia. Porto Alegre: Veraz Editores, 2003. p. 49–62.

LEITÃO, Larissa Meirelis. Um território potente: a experiência do mapeamento participativo da Maré para o exercício do direito à cidade. 2020. 99 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Direito) - Faculdade Nacional de Direito, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2020. Disponível em: https://pantheon.ufrj.br/handle/11422/14100. Acesso em: 12 dez. 2025.

LUQUE-AYALA, Andrés et al. Platforms in the making. In: KITCHIN, Rob; PERNG, Sybille (org.). The platform society: public values in a connective world. London: Routledge, 2019. cap. 21. Disponível em: https://www.taylorfrancis.com/chapters/edit/10.4324/9780429319754-21. Acesso em: 10 dez. 2025.

MAGALHÃES, Pedro. Tecnologia, crise e subversão: a Casa Fluminense e as plataformas de ativismo de dados. 2019. Dissertação (Mestrado em Planejamento Urbano e Regional) – Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2019.

MEIJER, Suzanne; POTJER, Suzanne. Citizen-generated open data: an explorative analysis of 25 cases. Government Information Quarterly, v. 35, n. 1, p. 45–52, 2018. DOI: 10.1016/j.giq.2018.10.004.

MINUSSI, S. G. et al. Considerações sobre estado da arte, levantamento bibliográfico e pesquisa bibliográfica: relações e limites. Revista Gestão Universitária, Monte Carmelo, 2018. Disponível em: https://www.revistas.fucamp.edu.br/index.php/cadernos/article/view/2356. Acesso em: 15 dez. 2025.

NASCIMENTO, Renata; PINTO, Pâmela. Mulheres de favelas e o acesso à internet: Perspectivas de lideranças periféricas do Rio de Janeiro : perspectivas de líderes periféricas de Río de Janeiro. Anagramas Rumbos y Sentidos de la Comunicación, [S. l.], v. 23, n. 46, p. 1–25, 2024. DOI: 10.22395/angr.v23n46a05. Disponível em: https://revistas.udem.edu.co/index.php/anagramas/article/view/4747. Acesso em: 22 jun. 2026.

NOBLE, Safiya Umoja. Algorithms of oppression: how search engines reinforce racism. New York: NYU Press, 2018.

OBSERVATÓRIO DAS BAIXADAS. Atlas das Baixadas. Brasil, 2024. Disponível em: https://observatoriodasbaixadas.org Acesso em: 15 dez. 2025.

OBSERVATÓRIO DE FAVELAS. Quem somos. Rio de Janeiro, c2001. Disponível em: https://observatoriodefavelas.org.br/quem-somos/. Acesso em: 15 dez. 2025.

REDES DA MARÉ. Institucional. Rio de Janeiro, c1997. Disponível em: https://www.redesdamare.org.br/br/info/12/censo-mare Acesso em: 15 dez. 2025.

RIO 2030. Plataforma Rio 2030. [S.l.], [s.d.]. Disponível em: https://www.rio2030.org/. Acesso em: 16 dez. 2025.

ROSA, Hartmut. Aceleração: a transformação das estruturas temporais da modernidade. Tradução de Rafael H. Silveira. São Paulo: Editora Unesp, 2019.

SACCO, Clara; MARQUES, Juliana. O IBGE na produção do data_labe e o debate sobre dados no Brasil. Revista Brasileira de Geografia, Rio de Janeiro, v. 64, n. 1, p. 109–121, 2019.

SANTOS, Boaventura de Sousa. Para além do pensamento abissal: das linhas globais a uma ecologia de saberes. Revista Crítica de Ciências Sociais, Coimbra, n. 78, p. 3–46, 2007.

SANTOS, Boaventura de Sousa. Epistemologies of the South: justice against epistemicide. Boulder: Paradigm Publishers, 2014.

SANTOS, Milton. A natureza do espaço: técnica e tempo, razão e emoção. São Paulo: Hucitec, 1996.

SANTOS, Milton. Por uma outra globalização: do pensamento único à consciência universal. 30. ed. Rio de Janeiro: Record, 2000.

SENA, Normaci Correia dos Santos. Gestão de dados de pesquisa científica na perspectiva da Ciência Aberta: um estudo de caso na Universidade Federal da Bahia. 2025. Dissertação (Mestrado em Ciência da Informação) – Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2025. Disponível em: https://repositorio.ufba.br/handle/ri/38403 Acesso em: 10 dez. 2025.

SILVA, Tarcízio. Racismo algorítmico: inteligência artificial e discriminação nas redes digitais. São Paulo: Edições Sesc, 2022.

UNIVERSITY OF TEXAS AT AUSTIN. Censo da Maré – material de pesquisa complementar. Austin, TX, 2013. Disponível em: https://repositories.lib.utexas.edu/server/api/core/bitstreams/16265e35-a5b0-4851-8dbd-d4ca0d6a25e3/content Acesso em: 15 dez. 2025.

VAN DIJCK, José. Datafication, dataism and dataveillance: big data between scientific paradigm and ideology. Surveillance & Society, v. 12, n. 2, p. 197–208, 2014.

VIEIRA, Polinho Mota e. Gerando dados de forma cidadã. [S.l.], 2023. Disponível em: https://rstudio-pubs-static.s3.amazonaws.com/1078297_514aaf263d7047948d325410df97f011.html. Acesso em: 13 dez. 2025.

YIN, Robert K. Case study research and applications: design and methods. 6. ed. Thousand Oaks: SAGE Publications, 2018.

Publicado

18-09-2026

Como Citar

Vital, M. (2026). Geração cidadã de dados : um estudo de caso sobre iniciativas realizadas na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Revista Conhecimento Em Ação, 11, e73499. https://doi.org/10.47681/rca.v11i.73499

Edição

Seção

Artigos de Revisão