A cheia do “mainstream”: comentário sobre os rumos da ciência econômica

Mario Luiz Possas

Resumo


Seguindo a imagem fluvial, são dois os efeitos típicos de uma cheia: o aumento da correnteza e a inundação das margens. O “mainstream” da ciência econômica tem mostrado fortemente ambos os efeitos na última década e meia, aproximadamente. De um lado, a corrente tornou-se mais caudalosa — arrastando uma proporção crescente e inusitada de economistas profissionais e acadêmicos — e mais rápida — abrindo sua agenda, fechando questões pendentes e uniformizando o discurso, cada vez mais formalizado, num ritmo sem precedentes, indicativo de grande vitalidade. De outro, vários temas relevantes considerados marginais ou intratáveis, e por isso relegados à heterodoxia (ou ao limbo), passaram a ser incorporados, ganhando o status de objetos cientificamente sérios. O que, além de possível sinal adicional de vitalidade, obriga os poucos economistas não-neoclássicos remanescentes (ou simplesmente não familiarizados com as últimas modas do mainstream) a reverem radicalmente suas referências, para não parecerem desatualizados em assuntos nos quais não são eles os neófitos; com o ônus de atrasar sua própria agenda — quando não são simplesmente “convertidos” no processo.

Palavras-chave


ciência econômica; mainstream

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