América Latina: Ortodoxia econômica e dependência financeira

Dercio Garcia Munhoz

Resumo


O texto analisa as origens da instabilidade das economias periféricas e as políticas de ajustamento — estabilização dos preços ou reequilíbrio externo. Ressalta a importância de se discutirem os diagnósticos, pois, com inflação, quando caem os salários reais, o aumento dos juros prescrito pelo FMI para conter a demanda provoca novos aumentos de custos, pressiona mais a inflação e leva à recessão; com isso os salários sofrem novas perdas, aumentando a pobreza e reduzindo o mercado interno. Enfatiza que a América Latina enfrentou desajustes de origem externa nos anos 70, na crise do petróleo, e novamente nos anos 90, porém por causas internas: quando políticas neoliberais de estabilização via abertura de mercados resultaram em endividamento externo; e, com o Governo pagando juros mais altos para atrair dólares, no aumento da dívida pública. Essa abertura com importações favorecidas pela redução do câmbio e das tarifas era dita inevitável em face da globalização. Mas, só praticada na América Latina, como o texto demonstra, buscava de fato, segundo o autor, os ganhos políticos da estabilização. Modelo insustentável perante a queda da renda salarial e do emprego, a paralisação da economia, o desarranjo das finanças públicas, e maior dependência externa, política e financeira. Argentina e Brasil fizeram assim grandes déficits externos, e procuraram se financiar com privatização, facilidades aos capitais de curto prazo e ingresso de capitais financeiros como investimentos diretos, o que refletiu no aumento das transferências de rendas para o exterior. Chegam agora a um impasse, por dependerem de novos recursos externos e do apoio do FMI, pois a postura tradicional deste, em tais circunstâncias, tem sido impor novos ajustes, agravando a desorganização econômica e social. 

Palavras-chave


América Latina; desequilíbrio externo; inflação, programas de estabilização; Plano Real; salários, desemprego

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