Arranjos e sistemas produtivos locais em “espaços industriais” periféricos: estudo comparativo de dois casos brasileiros

Fabiana Santos, Marco Crocco

Resumo


A literatura sobre experiências de desenvolvimento de sistemas produtivos locais tem dado pouco destaque às especificidades do ambiente socioeconômico dos países periféricos como determinantes da conformação deste tipo de arranjo produtivo. Tais especificidades são, entre outras, o fato de que: (a) as capacitações “inovativas” são, via de regra, inferiores às dos países desenvolvidos; (b) o ambiente organizacional é aberto e passivo; (c) o ambiente institucional (e macroeconômico) é mais volátil e permeado por constrangimentos estruturais; e (d) o entorno destes sistemas é basicamente de subsistência, apresentando densidade urbana limitada, baixo nível de renda per capita, baixos níveis educacionais, reduzida complementaridade produtiva e de serviços com o pólo urbano e frágil imersão social. O objetivo deste artigo é reconhecer estas especificidades e analisar suas implicações, tendo como referência dois estudos de caso brasileiros, o da aglomeração de produtores de calçados na pequena cidade mineira de Nova Serrana e o dos fornecedores de peças e componentes da Rede Fiat Automóveis em Belo Horizonte. Mesmo que bem distintos em termos da base tecnoprodutiva, dos padrões de concorrência e da natureza de seus mercados, as conclusões do estudo comparativo indicam importantes similaridades destes arranjos decorrentes das condições periféricas de reprodução dos mesmos. 

Palavras-chave


sistemas produtivos locais; periferia; capacitações; tecnologia; imersão social; densidade urbana; área de mercado; entorno de subsistência

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