Fracasso, Afetos e Capitalismo, uma entrevista com Érico Andrade
Résumé
Nesta entrevista Bruno Coutinho conversa com o psicanalista e filósofo Érico Andrade sobre seu livro “Sobre losers: fracasso, impotência e afetos no capitalismo contemporâneo” (2019). Nele, o autor discute a idealização do que seria o indivíduo moderno – esse ser racional, disciplinado e que acredita controlar o tempo e a Natureza. Reflete de forma crítica como o capitalismo se utiliza dessas premissas para estruturar seu sistema de produção e dominação nas sociedades modernas. No entanto, para o autor, é exatamente o acaso, a dimensão do incontrolável e do inegociável, que se mostra como determinante sobre a vida cotidiana, impondo ao indivíduo o sofrimento de sua incapacidade ontológica de ser aquilo que foi idealizado pela ideologia liberal. Esse “Ideal do Ego” provoca desdobramentos negativos resultantes do processo permanente e crescente de hiperindividualização do ser: ele se culpa permanentemente. Para o autor é no mundo do trabalho que esse sujeito sente os efeitos danosos da ideologia do capitalismo em sua psique. O fracasso inerente à condição na modernidade transforma esse sujeito em loser, reafirmando ideologicamente a falsa responsabilização total do individuo sobre si, sobre suas possibilidades de fracasso ou sucesso na vida. Tal mecanismo estabelece-se como a lógica que estrutura e que mantém a opressão e a hiperexploração dos trabalhadores na contemporaneidade. A culpa torna-se o regulador do próprio capital.
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