O desenvolvimento da afetividade pela leitura literária
Resumo
Este artigo investiga a leitura literária como experiência estética e afetiva, tomando a afetividade como dimensão estruturante da experiência humana e dos processos de aprendizagem. Em diálogo com Bakhtin (2011), Vigotski (2010) e Spinoza (2024), bem como com contribuições dos estudos literários e da neurociência da leitura, discute-se como a literatura mobiliza linguagem, imaginação e atenção, favorecendo a elaboração simbólica dos afetos e a constituição do leitor como sujeito sensível e interpretativo. Inicialmente, examina-se a afetividade como força organizadora do comportamento, evidenciando sua relação com a atenção e a significação. Em seguida, analisa-se a leitura literária como acontecimento estético, no qual forma e sentido se articulam, exigindo tempo, escuta e distanciamento produtivo. Argumenta-se que, ao promover a chamada “leitura profunda” (Wolf, 2019), a literatura amplia a consciência afetiva e a empatia, contribuindo para a formação ética e humanizadora. Por fim, problematizam-se os desafios contemporâneos da leitura no contexto da cultura digital e das práticas escolares tecnicistas, que tendem a fragmentar e instrumentalizar a experiência literária, comprometendo sua dimensão formativa.
Palavras-Chave: Leitura literária. Afetividade. Experiência estética. Formação do leitor.
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