A especificidade da caracterização de Agamêmnon em "As Troianas", de Sêneca

Zelia de Almeida Cardoso

Resumo


Presente em numerosos textos épicos e dramáticos, Agamêmnon figura também como personagem na tragédia senequiana As troianas. Embora fundamental para o desenvolvimento da ação, sua presença no texto é bastante rápida e se reduz a um diálogo que ele mantém com Pirro, o filho de Aquiles, no primeiro episódio (Tro.249-352). Nesse diálogo, o discurso fornece os elementos que permitem a caracterização de Agamêmnon. O rei de Micenas apresenta-se de início como um pensador ponderado e clemente, que faz considerações de caráter filosófico sobre o poder e o dever. Em seguida, consciente de sua autoridade, afirma que não admitirá o sacrifício de Políxena, reivindicado por Pirro. Diante das provocações de seu jovem interlocutor, entretanto, ele passa a adotar um tom agressivo e vulgar, mas faltando-lhe argumentos, renuncia à decisão de poupar a vida de Políxena e a submete ao desígnio dos deuses. Comparado com as fontes e com governantes construídos pelo próprio Sêneca nas demais tragédias, o Agamêmnon de As troianas, por sua pluralidade de traços, pode ser considerado como um caráter dotado de grande originalidade.

Palavras-chave


Sêneca; tragédia latina; As troianas; Agamêmnon; caracterização

Texto completo:

PDF

Referências


ARISTÓTELES. Poética. Trad. de Eudoro de Souza. São Paulo: Ars poetica, 1992.

CAMPOS, Haroldo. Ilíada de Homero. Vol. I. Introdução e organização de T. Vieira. São Paulo: Editora Mandarim, 2002.

CARDOSO, Z. A. Estudos sobre as tragédias de Sêneca. São Paulo: Alameda, 2005.

ÉSQUILO. Oresteia I. Agamêmnon. Estudo e tradução. Jaa Torrano. São Paulo: Fapesp / Iluminuras, 2004.

EURIPIDE. Iphigénie à Aulis. Texte établi et traduit par François Jouan. Paris, Les Belles Lettres, 1983.

EURÍPIDES. Teatro Completo. Tradução de Jaa Torrano. São Paulo: Ed. Iluminuras, vol 1: 2015; vol 2: 2016; vol 3: 2018.

EURÍPIDES. Duas tragédias gregas. Hécuba e Troianas. Tradução e introdução. Christian Werner. São Paulo: Martins Fontes, 2004.

FITCH, John G. (Edit.). Seneca. Oxford: Oxford University Press, 2008.

GRIMAL, P. Dictionnaire de la Mythologie Grecque et Romaine. Paris: Presses Universitaires de France, 1951.

HOMÈRE. L’Odyssée. Traduction nouvelle avec introduction, notes et index par M. Dufour et J. Raison. Paris: Garnier, 1947.

SÊNECA/ SALÚSTIO. Tratado sobre a clemência. Introdução, tradução e notas de I. Braren/ A conjuração de Catilina. A guerra de Jugurta. Introdução e tradução de A. S. Mendonça. Petrópolis, RJ: Vozes. 1990.

SÊNECA, L. A. Tragédias. A loucura de Hércules. As troianas. As fenícias. Tradução, introdução, apresentações e notas de Z. A. Cardoso. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2014.

SÉNÈQUE. Tragédies. Texte établi et traduit par L. Herrmann. Paris, Les Belles Lettres, 1971 (Vol. I).

STROH, Wilfried. “Staging Seneca: the Production of Troas as a Philological Experiment”, in FITCH, John G. (Edit.). Seneca. Oxford: Oxford University Press, 2008. p. 195-220.

TEMMERMAN, K.; BOAS, E. E. Characterization in Ancient Greek Narrative. (Mnemosyne Supplements Vol. 411). Leiden/Boston: Brill, 2017.




DOI: https://doi.org/10.25187/codex.v8i1.33931

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Direitos autorais 2020 Zelia Almeida Cardoso

Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição - NãoComercial 4.0 Internacional.