Transição democrática na Guiné-Bissau: uma análise sobre a mercantilização da democracia

Paulo Anós Té, Artemisa Odila Candé Monteiro

Resumo


O presente trabalho visa analisar o processo de transição democrática na Guiné-Bissau, em especial, da mercantilização da democracia guineense. Para fazer uma leitura da realidade política é preciso considerar os fatores econômicos, sociais, institucionais e os fatores exógenos que contribuíram para a liberalização política e econômica no país. A pesquisa metodológica qualitativa fundamentalmente centrada na análise bibliográfica trouxe em debate os condicionantes/aspectos exógenos e, sobretudo, do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional para a liberalização política e a perplexidade existente na adoção ao multipartidarismo. As pesquisas bibliográficas nos evidenciam que não houve um debate qualificado interno para o modelo democrático e a sua evolução está condicionado à carência da estrutura organizacional dos partidos políticos, suas percepções acerca do significado da democracia e pilares fundamentais para o funcionamento democrático. A mercantilização da democracia é o resultado da forma como a Guiné-Bissau aderiu ao multipartidarismo, em que a compra ou a venda de voto é o resultado da ampliação dos interesses particulares em detrimento do povo. Este comportamento tem impactado, negativamente, na consolidação dos princípios democráticos no país. Portanto, para analisar o estado da arte da consolidação da democracia guineense torna-se salutar analisar as instituições políticas, a representação política e os partidos políticos, por constituírem alguns dos elementos importantes para depreendermos o nível da mercantilização da democracia guineense.


Palavras-chave


Guiné-Bissau; Transição democrática; Mercantilização da democracia; Instituições políticas.

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