Corpo (des)histérico e algoz histérico: políticas do ver e do apagar na crítica estética do arquivo em Voluspa Jarpa
DOI:
https://doi.org/10.60001/ae.n50.8Palavras-chave:
Voluspa Jarpa, Arte Contemporânea, Corpo (des)histérico, Algoz Histérico, ArquivoResumo
Este artigo analisa como a artista visual chilena Voluspa Jarpa mobiliza arquivos censurados para elaborar simbolicamente a violência histórica na América Latina. Parte-se da hipótese de que sua obra ativa uma forma singular de subjetivação no espectador, reinscrevendo o trauma como sintoma visual. A análise articula dois conceitos complementares, o corpo (des)histérico, sujeito ético interpelado pelas falhas do documento, e o algoz histérico, figura simbólica do poder que procura apagar seus próprios atos repressivos. O objetivo fundamental é compreender como a arte contemporânea pode operar como contra-arquivo e contramemória, transformando a censura em dispositivo estético de escuta do silenciado. Adota-se metodologia qualitativa, teórico-interpretativa e interdisciplinar, articulando psicanálise, crítica de arte e estudos da memória na análise de três instalações de Jarpa. Os resultados indicam que, ao estetizar a opacidade documental, a artista desloca o arquivo de seu valor informativo para uma poética do sintoma. Conclui-se que sua obra reinscreve o trauma como disputa simbólica entre quem escuta e quem apaga, afirmando a arte como espaço de resistência à memória oficial e como ativadora de subjetividades éticas e críticas.
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