A criatividade exprimida no vivido
DOI:
https://doi.org/10.60001/ae.n50.15Palavras-chave:
Arte brasileira moderna e contemporânea, Historiografia, Institucionalização, Arte terapia, DecolonialidadeResumo
O artigo reflete sobre a historicização póstuma de Lygia Clark, sua posição como ícone da vanguarda moderna brasileira afastada dos circuitos das artes no final da vida, e a atualização de seu legado processual e terapêutico na obra de artistas contemporâneos do Brasil. A partir dos anos 1990, a internacionalização de seu trabalho evidenciou a dificuldade na exposição de seu método à estruturação do self, revelando como ele tensiona noções de sujeito, sensorialidade e a própria instituição museológica. Com o giro decolonial neste século, no âmbito da cultura e das políticas brasileiras, paradigmas de conhecimentos diversos estão sendo recuperados, acompanhando movimentos por mais representatividade para diversos grupos sociais. Nesse sentido, a dimensão experimental terapêutica de Lygia está presente não como um cânone, mas como um antecedente radical que inspira práticas de arte como cuidado, cura, autoconhecimento, coletividade, tratamento. A quebra de réguas canônicas nas proposições de Lygia direta ou indiretamente encorajou artistas e instituições do século 21 a lidar com processos que ativam experiências coletivas onde são esperados do participante entrega e engajamento.
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