Poema como partitura, leitor como performer: outro corpo em outro tempo

Maurício Ayer

Resumo


Pode-se pensar o poema como partitura por diferentes perspectivas. Neste artigo, a questão será colocada a partir do corpo – corpo que escreve, corpo que lê, corpo que realiza a partitura. A partitura é um escrito que não é, ainda, a obra, mas a notação que permite a um leitor performar a obra, realizá-la num tempo e lugar diferidos em relação ao autor. A partitura existe para permitir que uma obra se realize à distância de seu autor. Se o poema é uma partitura, significa que ele permite ou promove uma dinâmica entre corpos, cuja natureza será preciso compreender e descrever. Descrever essa dinâmica, a estrutura desse processo, é delimitar um campo: afinal, pensar o poema como partitura, de que se trata? E de que modo o corpo se porta neste jogo? A partir de Corpus de Jean-Luc Nancy, em diálogo com Les Mains Négatives, de Marguerite Duras, procurou-se discutir o problema do corpo implicado na dinâmica da leitura-escrita do poema.


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Referências


DURAS, M. Les Mains Négatives. In: DURAS, M. Romans, cinéma, théâtre, un parcours 1943-1993. Paris: Gallimard, “Quarto”, 1997.

ELIADE, M. Mito e Realidade. São Paulo: Perspectiva, série Debates 2006.

LÉVINAS, E. Le temps et l’autre. Paris: PUF, Collection Quadrige, 1989.

MESCHONNIC, H. Pour la poétique I. Paris: Gallimard, 1970.

NANCY, J. Corpus. Paris: Éditions Métailié, 2000.




DOI: https://doi.org/10.1590/1517-106X/2117591

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